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Prefeita eleita de Satuba � analfabeta funcional, diz laudo da Ufal; Justi�a decide caso em 15 dias

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ODILON RIOS Analfabeta funcional: este é o resultado do laudo que avaliou a escolaridade da prefeita eleita de Satuba, Cícera Pereira da Silva, a Cícera do Bar (PL). Agora, está nas mãos da Justiça Eleitoral decidir se ela deve ou não assumir o cargo a partir de janeiro do ano que vem. Segundo o promotor eleitoral Flávio Gomes da Costa, a decisão sairá em 15 dias. De acordo com o promotor, os primeiros a receber o laudo serão os advogados de Cícera do Bar e o prefeito de Satuba, Zezito Costa (PMDB), que moveu a ação questionando o grau de escolaridade da prefeita. O laudo foi entregue ontem, na sede da comarca eleitoral, em Rio Largo. Depois de cumprir os prazos legais, a juíza de Satuba, Marlene Madeiro, tomará sua decisão sobre o destino da prefeita eleita. O documento de 10 páginas foi assinado por três professoras da Universidade Federal de Alagoas (Ufal): Marinaide Lima de Queiroz Freitas, Abdizia Maria Alves Barros e Kátia Maria Silva de Melo. Segundo a Secretaria de Comunicação da Ufal, o atraso na divulgação do resultado foi causado pelo levantamento bibliográfico sobre o conceito de analfabetismo para o Ministério da Educação, estudos de professores da própria Ufal e outras universidades sobre o assunto, além da consulta a autores considerados clássicos na área educacional, como Paulo Freire e Vygotsky, juntando-se a experiências na área de educação de jovens e adultos da própria Ufal. ?Esse referencial teórico e metodológico é o mesmo que embasa as pesquisas citadas, realizadas na área de Educação de Jovens e Adultos, na Ufal, segundo o qual alfabetizada é a pessoa que não apenas aprende a ler e a escrever, mas que precisa adquirir o estado ou condição de quem se apropriou da leitura e da escrita, incorporando as práticas sociais que as demandam?, detalha o relatório, na página 5. ?Diante disso, podemos afirmar que: a) a examinanda [Cícera do Bar] possui um domínio limitado das habilidades da leitura e da escrita; b) a sua prática de escrever não é usual (apresenta dificuldade de identificação dos textos que circulam na sua prática social)?, resume o laudo da Ufal. Isso não quer dizer, explica o laudo, que Cícera do Bar nunca tenha freqüentado uma escola, por exemplo. Mas, como não praticou a leitura, acabou ?regredindo?. Citando vários autores, o laudo é claro: ?O indivíduo desalfabetiza-se devido à falta da continuidade dos estudos e de uso de material impresso ? o que limita a sua habilidade de ler e escrever com compreensão, bem como de produzir textos escritos que ultrapassem o mero limite de transcrição ou de grafia de palavras soltas?, analisam as professoras da universidade. A entrega do laudo, ontem, acabou sendo uma surpresa, uma vez que a equipe da Ufal havia pedido novo prazo até a próxima terça-feira para comunicar o resultado do teste.

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