Política
Perman�ncia de secret�rio cria embara�o
A indicação do nome do secretário Álder Flores para o Meio Ambiente foi recebida como ?decepcionante? por quadros do PPS e entidades ambientais, que estavam presentes. Depois da crise, nos bastidores, entre PPS e PFL na disputa pela Secretaria de Educação, esta é a segunda vez, em três semanas após as eleições, que o novo governo enfrenta uma crise interna, fora a crise no próprio PDT, entre Almeida e pedetistas. A GAZETA acompanhou a coletiva com a imprensa, que lotou o Auditório Lêdo Ivo, do Hotel Ritz, em Cruz das Almas, e percebeu que o nome de Flores não agradou nem ao deputado federal João Lyra (PTB), visivelmente incomodado com o anúncio. Lyra chegou a sair da sala e chamar o futuro secretário de Comunicação, Nelson Ferreira, que garantia, insistentemente, que ?não existe clima de desentendimento?. O problema, segundo apurou a GAZETA, é que Almeida teria anunciado ?cedo demais? o nome de Álder Flores, como comentavam alguns, nos corredores. Tamanho era o embaraço e a surpresa, que o novo secretário só foi chamado para compor a mesa com o prefeito cerca de meia hora depois de ter chegado ao hotel, trazendo o ?sim? nos lábios. Desagradável Outro que mostrou resistência foi uma das lideranças do PPS, jornalista Anivaldo Miranda. ?Foi uma surpresa desagradável para o movimento ambiental?, disse, saindo do hotel. O presidente da organização não-governamental (ONG) Movimento Pela Vida, Roberto Lôbo, estava surpreso. ?O Álder Flores vem do governo Kátia Born e vai continuar a política ambiental que está aí. Foi ele que, para impedir a poluição na Praia da Avenida, colocou uma barreira para o Salgadinho não despejar no mar?, reclamou. Flores levou à frente projetos considerados polêmicos, do ponto de vista ambiental. Foi ele que, por exemplo, em 2000, liberou o banho da prefeita Kátia Born na Praia da Avenida, anunciando que a praia estava limpa. Ele era presidente do Instituto do Meio Ambiente (IMA) e liberou a praia para o banho. O novo secretário também defendeu, ano passado, que a Lagoa Mundaú está poluída por causa da população que circunda a lagoa, jogando dejetos no complexo lagunar. Em uma mesma entrevista, feita há um ano, o secretário de Pesca e Aquicultura, Paulo Nunes, culpou as usinas de açúcar que margeiam o Rio Mundaú e despejam líquidos venenosos, matando os peixes em época de moagem, segundo defendeu. O banho na Avenida Flores não demonstrou arrependimento de ter avalizado o banho na Praia da Avenida, há quatro anos, da prefeita Kátia Born. ?Devemos lembrar que ela não tomou banho no Salgadinho, mas na praia. Eu não seria louco de liberar o banho no Salgadinho?, destacou. ?Não tenho nada contra as entidades ambientais. Gostaria que eles participassem do nosso projeto na Prefeitura?, asseverou. Cícero Almeida dizia, durante a coletiva, que ?o que havia acontecido no governo da prefeita, não iria acontecer no seu?, falando ainda que, se a prefeita tomou banho na Avenida, ?foi por decisão dela?. Durante a campanha deste ano, ao anunciar a construção do Eixo Viário Vale do Reginaldo, que pretende ser a sua maior obra de governo, Almeida mostrava, no guia eleitoral, o banho de Kátia na Praia da Avenida, denunciando que a população teria sido enganada pela prefeita, que prometeu a limpeza do riacho, o que não aconteceu.