Política
PT, PSB, PSDB e PMDB ainda sem rumo para elei��o 2006
MARCOS RODRIGUES A sucessão do governador Ronaldo Lessa (PSB), articulada desde as alianças para a escolha dos candidatos a prefeito neste ano, está deixando apreensivos os principais líderes do PT, PSDB, PMDB e PSB. Sem rumo definido, cada um avalia o cenário e suas projeções para não perderem espaço para o grupo do deputado federal João Lyra (PTB), vitorioso no último pleito, com a eleição de Cícero Almeida (PDT). O ?fator Lyra? está fazendo a diferença para a costura das futuras composições. Tanto que o PSB, antes mesmo de avaliar os erros cometidos na campanha do candidato Alberto Sextafeira, mudou a presidência do diretório estadual, para alimentar um nome do partido para a vaga de Lessa. Deu a lógica. O escolhido foi o vice-governador Luis Abílio. ?Abílio foi indicado para se fortalecer, mas não significa que não buscaremos composições?, disse Welisson Miranda, membro da Executiva do PSB. ?É ele [Abílio] quem vai viajar pelo Estado para negociar com as bases políticas de todos os grupos, até os da oposição?, disse, referindo-se ao PTB e PDT. O PSB, do grupo do governador, quer evitar que apareçam novos nomes para a disputa, como ocorreu na escolha do candidato a prefeito. A entrada de Abílio é uma forma de afastar do processo a prefeita Kátia Born. Mantido isso, ela disputaria uma vaga de deputada federal e Lessa tentará cumprir o seu plano, traçado em 2002, de se eleger senador. Silêncio O que mais incomoda ao PSB é o silêncio do senador Renan Calheiros (PMDB). Desde a derrota de seu candidato, o médico José Wanderley, Renan aguarda o melhor momento para se posicionar. A decepção pelo não apoio ao candidato de Ronaldo Lessa ainda não foi digerida pelo PSB. A GAZETA apurou que Renan comentou com amigos que ?não sabe? o que vai acontecer em 2006. Ou seja, é possível que o senador não esteja no mesmo palanque com o PSB, como foi negociado, quando PMDB e PSDB sustentaram a reeleição de Lessa, em 2002. Em parte, isso já aconteceu no último pleito, quando quadros dos dois partidos se dividiram entre os palanques de Cícero Almeida e Alberto Sextafeira. Se de um lado Renan está calado, quem desceu do muro e se lançou candidato a governador foi o senador tucano Teotonio Vilela. ?Caso Renan fique impedido, serei o candidato?, anunciou, querendo o apoio do PSB. Téo lembrou que as divergências municipais não abalaram a relação com o governador. A possibilidade da entrada de Téo na disputa não agrada ao PT, mais recente aliado do PSB no Estado. ?Ele não é candidato e nunca quis ser. É mais uma forma de confundir?, acredita o presidente do diretório estadual do PT, deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão. Ele só concorda com os tucanos quando o nome para a sucessão é o de Renan. Paulão acredita que se o PMDB não romper com o governo federal, as condições para uma aliança estão abertas. O senador, dentro do seu partido, é dos que defendem a permanência no governo. ?Só não vejo espaço para o PSDB?, avisa Paulão.? Se o partido é oposição a Lula, como estará em nosso palanque??, indaga o petista. Essa posição é questionada dentro do PT. A ala radical (PT de Cara Própria e O Trabalho) não aceita alianças que sigam além dos partidos considerados de esquerda (PCdoB e PSB, talvez o PV). Os ?órfãos? de Heloísa Helena, expulsa ano passado, afirmam que a política de alianças definida para a sucessão de Kátia desconsiderou as instâncias petistas. As feridas internas do PT serão discutidas na terça feira (16), quando será apresentada a tese dos radicais sobre os tropeços de outubro. Oposição Enquanto os governistas se movimentam para não perder espaço, quem avança é o grupo de João Lyra. Depois da vitória de Almeida, o próximo passo está sendo dado, com a escolha do secretariado ? um processo que está causando mágoas entre os próprios aliados. Mesmo assim, Almeida e sua vice Lourdinha Lyra estão otimistas. ?Vamos fazer uma gestão que credencie nosso grupo e, quem sabe, João Lyra para o governo do Estado?, disse Lourdinha. Um dos conselheiros do grupo, o deputado federal José Thomaz Nonô, também sustenta essa tese. Para ele, a vitória de Cícero Almeida representa um novo fôlego para o quadro sucessório. Nonô não se antecipa para a definição de um nome e deixa no ar até o seu. ?É inegável que nosso grupo ganhou uma sobrevida importante para a disputa em 2006?, admitiu.