Política
Sem os cargos que queria, PDT amea�a expulsar Almeida
CELIO GOMES ODILON RIOS A relação entre o prefeito eleito de Maceió, Cícero Almeida, e seu partido, o PDT, está por um fio. Quinze dias depois da vitória nas urnas, a revolta na cúpula do partido aponta para o rompimento com Almeida. O motivo da guerra é o loteamento dos principais cargos na prefeitura, iniciado há uma semana. Deixados por último na partilha, líderes do PDT sentem-se desprezados. A gota d?água foi o anúncio de mais três secretários, na última sexta-feira. A manutenção de Álder Flores na Secretaria do Meio Ambiente ? ele é o atual titular, na gestão do PSB ? conseguiu a ?proeza? de desagradar a praticamente todos os aliados, inclusive o PTB do deputado João Lyra e o PPS, que queria a vaga. O destino do PDT no futuro governo municipal será anunciado hoje, em entrevista coletiva, ao meio-dia, na casa do presidente estadual e municipal do partido, Geraldo Sampaio. Ele e o atual secretário-geral do partido, Corintho Campelo, além do advogado Heth César, membro das executivas nacional e municipal, vão anunciar se aceitam as três secretarias oferecidas na semana passada pelo prefeito Cícero Almeida, ou se irão recusá-las e romper. A GAZETA apurou que as chances de os pedetistas participarem da futura administração são remotas. Duas das lideranças do partido, Heth César e o deputado estadual Luiz Pedro, confirmam que o partido não aceitará as secretarias e vai declarar oposição ao novo governo. ?Já está definido que não vamos participar do governo?, disse Heth César. ?Não houve reunião com o prefeito [Cícero Almeida] desde o dia da comemoração na TV?, lembrou. A ?comemoração? foi a festa da vitória de Almeida feita na TV Alagoas, horas após o resultado definitivo do segundo turno. Expulsão Além da saída do governo municipal, a situação pode se complicar ainda mais nos próximos dias, dentro do PDT: é que Heth César entrou ontem com o pedido de expulsão do futuro prefeito, na Comissão de Ética do partido. O documento, de três páginas, resume a briga política dos últimos dias que rachou a base aliada de Cícero Almeida: há duas semanas, Almeida e Sampaio não conversam sobre secretariado. Há profundas mágoas entre pedetistas com os novos ventos que guiam a futura administração de Cícero Almeida. ?Acho que ele teve uma pífia atuação em seus mandatos de vereador e deputado estadual?, disparou Heth César. ?O PDT escolheu Cícero Almeida porque ele tinha suas clínicas espalhadas pela cidade, atendendo a muitas pessoas. Só que, depois, percebemos que aquilo era assistencialismo?, alegou. ?Se ele nos falasse dos compromissos que assumiu com os outros partidos, nós entenderíamos. Mas soubemos de tudo pela imprensa, inclusive das três secretarias oferecidas a nós?, resumiu. ?Estou magoado e acredito que o doutor Geraldo Sampaio também esteja. Cícero Almeida nos desprezou?, reclamou Heth César. O deputado estadual Luiz Pedro também confirmou que o PDT não fica mais no governo. ?Realmente, eles estão rompendo?, disse, referindo-se a Geraldo Sampaio e Cícero Almeida. ?Mas eu não vou romper com Cícero Almeida. Ele é meu amigo?, alegou. Depois de ser informado, pela GAZETA, do pedido de expulsão de Almeida feito pelo advogado Heth César, Luiz Pedro foi logo avisando: ?Se ele [Almeida] sair do PDT, eu também saio?. Atacando as lideranças do PDT, mas sem citar nomes, o deputado dizia: ?Eles queriam a Secretaria de Saúde e outra secretaria, mas acabaram não tendo. Deve ser usura deles?, alfinetou. ?Já fui convidado para integrar o PTB, mas não aceitei. Só estou no PDT porque o Cícero me convidou?.