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Política

PROMESSAS DE REVITALIZAÇÃO DO RIACHO COMEÇARAM NA DÉCADA DE 80

Problema foi causado pela ocupação desordenada das áreas próximas ao Vale do Reginaldo

Por arnaldo ferreira | Edição do dia 06/08/2022 - Matéria atualizada em 05/08/2022 às 23h02

A promessa de despoluição do Salgadinho começou no final dos anos 80, quando a cidade começou a receber milhares de trabalhadores rurais que fugiam da seca ou foram despejados das agrovilas da zona canavieira de 60 municípios. Muitos ocuparam áreas próximas do vale do Reginaldo onde jogavam o esgoto e lixo. Os projetos e ações de engenharia implementados em 30 anos desperdiçaram muito dinheiro público e outras viraram piadas jocosas. De lá para cá, nos períodos eleitorais, a maioria dos candidatos prometeu despoluir a cidade. No anedotário político, há o caso da ex-prefeita Kátia Born (PDT) [governou a cidade de 1997 a 2004] e da então secretária de Turismo da época, Patrícia Mourão. Ambas afirmaram ter conseguido despoluir o riacho. Segundo os adversários da prefeita, “era tudo fake news”.

Para provar que tinha vencido a poluição, Kátia convocou a imprensa nacional e local e, num fim de tarde ensolarada, vestida com um maiô, ela e Patrícia Mourão pularam na água e tomaram banho em frente à foz, a área mais poluída da praia. Resultado, as gestoras se transformaram em alvo da chacota nacional. No dia seguinte, o riacho permanecia cheio de lixo e com a água escura de esgoto. Ainda hoje a ex-prefeita é lembrada. Patrícia, que voltou a ser secretária de Turismo do governo JHC antes de ser exonerada recentemente, defendeu o projeto de despoluição e disse acreditar que a Praia da Avenida voltará a viver os tempos de glória, como era até os anos 80. Os ex-prefeitos que a sucederam também anunciaram investimentos e projetos mirabolantes. Efetivamente nada aconteceu de positivo, lembra o eterno presidente da Associação anárquica “Amigos do Salgadinho”, o agitador cultural Carlito Lima. Ele e os vizinhos moradores da região promoveram manifestações, abraçaram simbolicamente o riacho, cobraram projetos efetivos de saneamento, despoluição dos do Reginaldo, Salgadinho e não escondem a frustração.

Atualmente os moradores acompanham a execução do “Renasce Salgadinho” e avaliam que os investimentos superiores a R$ 76 milhões podem resultar na despoluição se ocorrer outras ações articuladas. Carlito Lima alerta que, se não fizeram o saneamento na parte alta da cidade e no Vale do Reginaldo, esse será mais uma montanha de dinheiro jogado fora. O agitador cultural acompanha as obras e constatou que a Casal e a prefeitura fazem o saneamento nos bairros do Tabuleiro do Martins e no vale do Reginaldo. O esgoto será canalizado para o emissário submarino, e a poluição será despejada a oito quilômetros do litoral. “No período chuvoso, o Salgadinho vai continuar recebendo um grande volume de água, desta vez da chuva e jogando no mar. O que a gente quer é que retirem definitivamente as fontes poluidoras clandestinas. Acho que desta vez será possível minimizar o problema. O esgoto vai para o emissário”, acredita.

HISTÓRIA

Carlito Lima lembrou que a poluição dos mananciais coincide com os desmontes das agrovilas nas terras dos usineiros, depois da Constituição de 1988. “Os usineiros, ao perceberem que poderiam perder pequenos lotes onde moravam as famílias de cortadores de cana, em processos de usucapião, decidiram demitir os empregados, colocaram para fora das casas e derrubaram os imóveis rurais. Os desempregados, sem alternativa, vieram para a capital. Sem moradia, invadiram áreas públicas, como o Reginaldo, a orla lagunar e as encostas de barreiras.

Agora, para resolver o problema da poluição dos recursos hídricos como o próprio Salgadinho, a prefeitura precisa de um projeto de desenvolvimento e de saneamento compatível com as potencialidades econômicas do município, diz Carlito Lima, ao destacar também a necessidade de moradias organizadas e saneamento com água, coleta de esgoto e lixo eficientes.

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