Política
DEFENSORIA IDENTIFICA FALTA DE POLÍTICAS PARA QUILOMBOLAS
Órgão iniciou programa para traçar raio-x das 71 comunidades existentes em Alagoas
A realidade das 71 comunidades quilombolas de Alagoas começa a ser conhecida de perto. Desde a última quarta-feira (10), a Defensoria Pública do Estado de Alagoas iniciou um programa que deve traçar um raio-x dessas populações que sofrem com a falta de políticas públicas, como é o caso da Serra Verde, em Igaci.
Segundo o defensor público-geral Carlos Eduardo Monteiro, a previsão é de que os trabalhos da Defensoria levem pelo menos um ano para serem concluídos, mas até lá as demandas encontradas nas comunidades quilombolas serão elencadas e encaminhadas.
“Na comunidade Serra Verde, em Igaci, encontramos gente que não tem conhecimento dos seus direitos. Pessoas que não têm documentos e por isso mesmo não conseguem ter acesso a serviços importantes como de saúde ou de educação, ou seja, de políticas públicas”, afirma o defensor Carlos Eduardo.
Em Igaci, trinta pessoas foram atendidas pelas equipes da Defensoria Pública que já iniciaram o atendimento das reivindicações. Nas localidades a serem visitadas, será um desafio para a instituição prestar atendimento para quem falta o mínimo de cidadania.
“Surgirão dois tipos de demandas, individuais como a necessidade de documentos pessoais e coletivas que envolvem políticas públicas. Identificando o problema já encaminhamos a solicitação, por isso expedimos ofício a órgãos como cartórios, corregedoria e estamos tentando uma parceria com o Instituto de Identificação”, afirma o defensor público-geral.
Carlos Eduardo foi reeleito pelos defensores públicos estaduais, em junho, para o biênio 2022-2024. Ele exerce o cargo de defensor público-geral, desde o ano de 2020 e, anteriormente, atuou como subdefensor público-geral, entre os anos de 2016 e 2020.
A próxima comunidade quilombola a ser visitada é a Muquém, em União dos Palmares, no dia 25 deste mês. No dia 26 será a vez de Santana do Mundaú.
REPORTAGEM
No fim de julho deste ano, reportagem do jornalista Arnaldo Ferreira trouxe detalhes sobre a situação de povos indígenas e quilombolas de Alagoas. "A pior situação é nos Quilombos de Jacu e Moco, em Poço das Trincheiras, por exemplo, a população enfrenta a miséria e doenças. Uma situação de total abandono”, cita a reportagem. “Quase todos os quilombolas dependem de R$ 400 do Bolsa Família [Auxílio Brasil], tem problemas na saúde mental em 20% das populações adultas. Entre os jovens, o índice é maior e carece de uma investigação mais profunda dos profissionais de saúde”, disse o pesquisador, membro do Conselho Missionário Indigenista e Coordenador do Núcleo Acadêmico Afro-indígena e de Direitos Humanos do Cesmac, professor-doutor em Antropologia, Jorge Vieira, em trecho de entrevista à Gazeta.