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EM ÉPOCA DE CHUVA, ESTUDANTES SE ESPREMEM EM SALAS ESTREITAS A tribo fica no alto Sertão de Alagoas, a 280 quilômetros de Maceió. Numa escola improvisada estão matriculados 200 alunos do ensino fundamental, médio e mais 10 do EJA (ensino de jovens e adultos). Estudam em ocas de palha surrada, em salas sem conforto e improvisadas nas casas de famílias indígenas. Um terreno baldio funciona como quadra esportiva. Em períodos chuvosos, os estudantes de duas e três turmas se espremem em salas estreit

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A tribo fica no alto Sertão de Alagoas, a 280 quilômetros de Maceió. Numa escola improvisada estão matriculados 200 alunos do ensino fundamental, médio e mais 10 do EJA (ensino de jovens e adultos). Estudam em ocas de palha surrada, em salas sem conforto e improvisadas nas casas de famílias indígenas. Um terreno baldio funciona como quadra esportiva. Em períodos chuvosos, os estudantes de duas e três turmas se espremem em salas estreitas. Na volta às aulas essa semana, muitos faltaram. Os professores temem o aumento da evasão escolar, principalmente entre os adolescentes, por falta de atrativos e de estímulo nas salas de aula improvisadas. Numa conversa rápida com os estudantes Audreane Ribeiro Cavalcante, 14 anos; Zélia Maria dos Santos, 14 anos; Lipoá Vilela, 16 anos; Ismael Silva Gomes, 14 anos e Maria Helena Feitosa Neto, 14 anos e outros, eles não esconderam as dificuldades de estudar em ocas pequenas sem banheiro, sem rede elétrica, sem lugar para ligar aparelhos eletrônicos, sem computador. “A gente quer uma escola de verdade como tem nas cidades. A gente quer o nosso próprio espaço. A escola improvisada não é legal. Falta tudo. A gente quer aulas de informática, robótica e cursos profissionalizante”, pediram os estudantes koiupanká. Eles souberam pelos caciques e lideranças da aldeia, que a prefeitura de Inhapi vai construir uma escola moderna na tribo. Reagiram com desconfiança. “Sempre prometeram que vão construir a escola para nosso povo. Mas, olha o lugar onde a gente estuda…” lamentaram os adolescentes que são ‘’ligados” nas novas tecnologias, tem perfis nas redes sociais e querem acesso às tecnologias na escola. A educação social não aldeia segue padrões antigos. A maioria das crianças e adolescentes aldeados obedece às orientações dos pais e dos indígenas mais velhos. É comum eles pedirem a bênção dos mais velhos quando se cruzam nas comunidades. No entanto, os jovens por falta de oportunidades migram para as cidades do sertão e outras do sudeste em busca de trabalho e alguns se envolvem com drogas, prostituição e crimes. “Alguns que migraram, quando voltaram para a aldeia, chegaram envelopados (no caixão). Eles saem daqui despreparados e aí se perdem na vida”, lamentou o cacique Akoanã (Damião Torres Silva) ao cobrar demarcação de terras e a construção da escola prometida há mais de 16 anos. AF

Leia mais nas páginas A6 a A8

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