Política
POR FALTA DE ESCOLA, OCAS SÃO IMPROVISADAS COMO SALA DE AULA
Koiupankás também reivindicam demarcação de suas terras e aguardam estudo antropológico da Funai
As 180 famílias Koiupankás se dividem em três comunidades: Aldeia Baixa do Galo, Aldeia Baixa Fresca e Aldeia Roçado. Os que vivem em áreas urbanas de Inhapi preferem não revelar as identidades herdada dos ancestrais para não sofrerem discriminação e perseguição. Os aldeados ocupam as áreas que estão hoje há mais de um século. Porém, não existe nenhum documento legalizando a propriedade nem demarcando. A Funai há mais de 20 anos prometeu realizar um estudo antropológico para iniciar o processo de demarcação. Na prática isso nunca aconteceu.
Nas comunidades, a vida é simples e tranquila. Sem terra demarcada muitos homens e mulheres, depois que completam 18 anos, vão trabalhar em municípios próximos ou viajam para estados do Sudeste. Raramente retornam.
As lideranças e caciques são desconfiados com a presença de estranhos na comunidade, por causa da violência que sofreram no passado. O acesso da imprensa acontece, geralmente, intermediado com ajuda de integrantes do Conselho Indigenista da Igreja Católica.
A falta de terras demarcadas gera prejuízos imensos aos Koiupankás. Eles não conseguem concretizar acesso aos projetos agrícolas dos órgãos públicos, financiamentos nem desenvolver projetos de moradias como sonham. Há 16 anos, a comunidade pleiteia junto às Secretarias de Estado e do Município da Educação a construção de uma escola equipada para os ensinos fundamental e médio. A principal reivindicação, porém, é a demarcação de uma área em Inhapi para reagrupar as famílias e desenvolver atividades com os jovens e assim conter migração e o envolvimento com drogas, prostituição e outros ilícitos.
Problemas semelhantes ocorrem também nas outras 11 tribos indígenas e nos 71 quilombos de Alagoas.
IMPROVISO
O cacique mais velho da tribo, Inaquair ( José João da Silva), exerce função política e a palavra dele é obedecida por todos. Seu filho, também cacique, Damião Torres da Silva-“Akoanã”, junto com as lideranças, cuida da organização. Ao perceberam, há 16 anos, que o estado não cumpriria a promessa de construir uma escola na aldeia, eles improvisaram ocas cobertas com palha e ocuparam casas de parentes para funcionarem como salas de aula. A estrutura de ensino é mínima. Quando chove os alunos se espremem nas salas improvisadas. “O governo do Estado nos mostrou um projeto bonito, com departamentos tecnológicos, salas com computadores, quadras, tudo feito no papel. Prometeu que construiria uma escola indígena equipada para as nossas crianças e jovens. Enquanto não construía, pediu casas para improvisar as salas de aula. Até hoje nunca pagaram o aluguel das casas dos nossos parentes”, lamentou Inaquair. “Não temos terra demarcada, não temos escola, não temos projeto, não temos nada e éramos donos de tudo isso. Hoje, queremos só uma parte de terra para viver, trabalhar e implantar a escola para as nossas crianças”, disse o cacique que raramente fala com a imprensa. mas aceitou, gentilmente, conversar com a Gazeta e repetiu: “Precisamos de terra demarcada e a escola da nossa comunidade”. Revelou ainda que existe a promessa da Secretaria de Educação de Inhapi de que no dia 25 haverá licitação para a construção da escola. “Se não tem terra demarcada, onde vão construir a escola?”, questionou o Cacique Inaquair. Outro fato curioso e que revela uma suposta desorganização administrativa da gestão do governo estadual e da Secretaria de Estado da Educação nas gestões passadas, incluindo a atual, e surpreendeu todas as lideranças Koiupanká e o diretor da escola indígena improvisada, professor Francisco João da Silva conhecido pelo povo como Oporá-Anã-Árreiá-Árreia, é que chegaram à aldeia alguns técnicos da Seduc afirmando que reformaria a escola da aldeia. “Dissemos a eles que não havia escola do Estado na Comunidade. Mesmo assim, os técnicos não acreditaram, queriam que a gente desse conta de uma escola que nunca foi construída, para que eles reformassem”.