Política
PROFESSOR INDÍGENA COBRA ESCOLA PROMETIDA EM 2006
Atualmente alunos da aldeia estudam em instalações improvisadas, sem sala de informática nem quadra esportiva
A Escola Indígena Ancelmo Bispo de Souza funciona de forma improvisada em ocas antigas e/ou em quartos estreitos de casas da aldeia que foram alugadas, mas os proprietários nunca receberam os aluguéis supostamente acertados com a Secretaria de Estado da Educação. Todavia, a secretaria mantém em dia os pagamentos de monitores (professor com contratos temporário) e não aceita a criação de professores indígenas como defendem as 12 tribos de Alagoas.
Os estudantes afirmam que têm aulas em todas as disciplinas dos currículos dos ensinos fundamental e médio. O diretor da escola, professor Oporá Anã Árreia- Árreia (João Francisco da Silva), confirma a informação dos jovens e cobra a construção da escola prometida em 2006. “A gente não sabe por que não construíram a escola. Estranhamos quando eles (os servidores do Estado) apareceram para reformar a escola que nunca foi construída”.
O professor revelou que a grade curricular tem uma disciplina a mais que é “História da Identificação”, que resgata a história, a cultura, a forma de organização social, a política e as tradições do povo Koiupanká. A linguagem (dialeto)dos ancestrais ainda não é ensinada na sala de aula. O ensino é restrito. É falado apenas durante os rituais que acontecem em dois meses por ano.
“O nosso povo precisa da escola que deveria ter sido construída em 2006, para manter a educação de acordo com os costumes da nossa aldeia”, defende o professor Oporá Anã, ao confirmar que os alunos estudam em locais improvisados, sem espaço para aulas profissionalizantes, sem sala de informática, sem espaço para curso de robótica e sem quadra esportiva.
Revelou a promessa da Prefeitura local de construir uma escola na comunidade. Segundo o professor, o estabelecimento terá apenas seis salas. “Isso é insuficiente porque, no período da manhã, por exemplo, tem sete turmas”. Mesmo assim, o professor Oporá Anã aposta que o empreendimento ajudará a reduzir o analfabetismo e a evasão escolar. “A educação em nossa comunidade tem dois aspectos importantes: primeiro, vamos formar profissionais para a economia do Estado e, ao mesmo tempo, a gente quer dar condição para esse jovem ajudar a própria tribo”.
Ao justificar, o professor Oporá Anã disse que o povo dele não tem território próprio, a maioria da população vive em três aldeias ou nas periferias urbanas de Inhapi e de outras cidades. “A falta de território provoca o êxodo de jovens e alguns, quando retornam, é em caixão. A escola hoje é um refúgio para educação, para orientação na complementação da educação familiar e para a prevenção contra as drogas”, acredita.
Ele aproveitou para cobrar também a demarcação de terras por acreditar que a posse do território ajudará os mais jovens a se fixarem na comunidade. “Na nossa terra, na escola ensinando nossos costumes, vamos viver numa área com liberdade e com uma educação capaz de ajudar a estruturar a organização familiar do nosso povo. Imagine só: numa área própria teremos trabalho e condições de sobrevivência que hoje não existe”, destacou..