Política
CANDIDATURAS FEMININAS AUMENTAM 5% EM ALAGOAS
Dos 467 candidatos registrados na Justiça Eleitoral, 156 são mulheres , o que representa 33,4% do total
Apesar da campanha do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para ampliar o envolvimento do público feminino na política em 2022, a quantidade de mulheres que pediram o registro de candidaturas em Alagoas para o pleito deste ano não mudou muito em comparação às eleições gerais de 2018. Dos 467 candidatos, 156 são do sexo feminino, o equivalente a 33,40%. Quatro anos atrás, foram 148 (32,10% do total), um aumento de 5%.
Pelo sistema da Justiça Eleitoral, é possível filtrar o registro de candidaturas por gênero e por partido. Fazendo uma análise, o PSOL, Cidadania e a Unidade Popular (UP) são os únicos que tiveram mais candidatas do que candidatos. Já o PSTU só indicou homens.
O PMB [Partido da Mulher Brasileira] apresentou 8 homens e 7 mulheres; já o PSDB tem 6 candidatos e 5 candidatas. As demais siglas têm um percentual superior a 60% de candidaturas do sexo masculino. A cientista política Luciana Santana considera o aumento percentual de mulheres candidatas pequeno, mas considera como um dos fatores complicadores a formação das federações formadas, que reduziu o número de candidaturas este ano. Para ela, se este método não estivesse em vigor, provavelmente a proporção seria maior de engajamento feminino. “As mulheres querem participar e se interessam pela política, mas temos obstáculos a ampliar a participação delas em espaços institucionais de poder, nas instâncias que vão legitimar, garantir visibilidade e representatividade numa eleição. Percebo que os partidos políticos são os principais obstáculos para a participação da mulher. São chamadas para cumprir uma cota de gênero, que é necessária, mas não é convidada a longo prazo para que participe ativamente da vida partidária, ganhe posição de destaque. Os partidos políticos são freios”. Em junho, o TSE lançou a campanha ‘Mais Mulheres na Política 2022’ e, durante 20 dias, veiculou vídeos, spots e cards em emissoras de TV e rádio, nas redes sociais da Justiça Eleitoral e no Portal do TSE. As peças da iniciativa destacavam a diferença entre o Brasil real e o Brasil político e finalizavam com o slogan: “Mais mulheres na política. A gente pode, o Brasil precisa”. Se por um lado elas representam 52% da população brasileira, no outro extremo, ocupam apenas 12% das prefeituras, somente 15% do Congresso Nacional e nem 4% nos governos estaduais. Para 25 governadores homens eleitos, há uma única governadora eleita. Na avaliação do ministro Edson Fachin, do TSE, a democracia sem a expressão do feminismo se atrofia, torna-se uma mera formalidade, perde a representatividade. Segundo ele, a democracia, para ser plena, tem que apresentar a sua face feminina. “Além da questão da visibilidade das mulheres, há também a questão da efetividade das medidas que visam garantir a elas o acesso e a voz nos espaços da vida política do país. A Justiça Eleitoral está do lado da materialização dos direitos que são inerentes à condição feminina”, destaca. De acordo com a ministra do TSE Maria Cláudia Bucchianeri, além das campanhas que o TSE realizou, para incentivo maior da participação feminina na política, a Justiça Eleitoral vem se tornando um espaço que reverbera as demandas sobre o tema. “O TSE vem se tornando um centro de luta contra a violência política de gênero, sobretudo, e catalisando ações que ampliam a participação feminina em postos de lideranças políticas”, afirmou.