Política
Presidente da C�mara chama de covardes membros do PSB
ODILON RIOS A derrota do PSB na eleição para prefeito de Maceió agitou ainda mais os dois grupos rivais existentes no partido: aqueles que são liderados pelo governador Ronaldo Lessa e os comandados pela ainda prefeita da capital, Kátia Born. No meio dos dois líderes estão possíveis casos de perseguição a vereadores, uma suposta desfiliação partidária e até marqueteiros que pensam em fazer campanha, em 2006, para os adversários do governador Ronaldo Lessa. Tudo isso está sendo discutido internamente e será levado a uma reunião programada para o final do mês, para ?lavar a roupa suja?, como lembrou o secretário-geral do PSB, Welisson Miranda. O efeito dominó teria começado na Câmara Municipal. Segundo fontes, parlamentares se sentiram desprezados durante a campanha eleitoral porque perderam cargos na prefeitura ou não foram contemplados com material de propaganda. Haveria um acordo para a distribuição de 1 milhão de santinhos para alguns parlamentares, mas o compromisso não teria sido honrado. Dois vereadores do partido governista confirmaram a insatisfação depois das eleições: o próprio presidente da Câmara, Alan Balbino, e Marcos Alves. Mas ambos evitam falar sobre santinhos ou cargos. ?Fui tachado de traidor pelos covardes do PSB?, disparou Balbino, em tom veemente, ameaçando: ?Se eles voltarem com esse assunto na reunião da Executiva Municipal do partido [prevista para o final do mês], o espaço ficará pequeno dentro do PSB. Se eles ficarem, eu saio?, disse, classificando essas pessoas de ?maliciosas? e ?maléficas?. Marcos Alves também confirmou: ?Insatisfação existe?. Ressalvou que ?o PSB não está rachado?, mas desabafou: ?Há insatisfação porque acham que A, B ou C tiveram prioridade?, falou, sem explicitar nomes. Perseguição O presidente da Câmara eleva o tom das reclamações sobre o comportamento de seu partido e fala até em uma suposta ?perseguição? interna feita contra os vereadores Jaudeni Coutinho ? não reeleito ? e Gerônimo Ciqueira. ?Há mais vereadores que também foram perseguidos, mas eles temem represálias?, revelou. ?No primeiro turno da campanha, prestei um trabalho. No segundo turno, não tinha mais condições de desenvolver mais nada por causa da dificuldade de relacionamento, das fofocas infundadas, das mentiras. Minha equipe, durante a campanha eleitoral, foi discriminada?, desabafou Alan Balbino. ?Meu nome foi vetado por coordenadores da campanha, entre outras coisas, porque eu poderia dar uma estrutura melhor?, disse o presidente da Câmara. ?Hoje, no PSB, não há um ambiente normal entre os vereadores que foram eleitos e aqueles que não foram?, afirmou Balbino, acrescentando ainda que quase perdeu as eleições ?por causa dessa inveja? de nomes ?que se escondem? dentro do PSB. Segundo ele, o governador Ronaldo Lessa estaria sabendo do clima de animosidade entre grupos do partido. ?Meu nome foi boicotado do guia eleitoral?, reclamou Balbino.