Política
Almeida pode assumir o cargo sem partido
MARCOS RODRIGUES A posse do prefeito eleito Cícero Almeida (PDT), no dia 1o de janeiro, ainda pode acontecer com ele fora do PDT. Se isso de fato ocorrer, ele será o primeiro prefeito eleito de capital a assumir o cargo sem o apoio do próprio partido pelo qual se elegeu. A crise entre Almeida e o presidente da lenda em Alagoas, Geraldo Sampaio, é mais um capítulo da eleição marcada por fatos inusitados. O primeiro deles foi a entrada, saída, retorno e depois desistência novamente do senador Teotonio Vilela (PSDB). Por conta disso, o ex-deputado Regis Cavalcante (PPS) dormiu candidato a vice-prefeito do senador e acordou sem aliado para o pleito. Ainda antes do início da corrida eleitoral, quem desistiu da candidatura foi o deputado federal João Caldas (PL). Ao fim do processo eleitoral, faltando 48 horas para o pleito, o candidato Ildo Rafael (PMN) também abandonou a disputa. A crise das aliança política entre PT e PSB contribuíu para mais confusão. Depois das eleições ? durante entrevista à rádio GAZETA ? o professor de História Alberto Saldanha avaliou que as sucessivas crises podem ter sido um dos fatores que motivaram o alto número de eleitores que optaram por nenhuma das candidaturas. Os votos brancos, nulos e abstenções ultrapassaram os 80 mil, ou 25% do universo de 440 mil eleitores. ?As notícias que as pessoas acompanharam sobre o processo, em sua maioria, estavam relacionadas aos acordos políticos e à falta de identidade ideológica de alguns envolvidos. Em alguns momentos, a eleição se apresentou como um grande negócio?, considerou Saldanha, atestando a decepção de parte da classe média, ?o chamado eleitor consciente?. Inusitada A crise envolvendo o prefeito eleito e o seu partido é tão inusitada que até políticos de correntes opostas tentaram evitar o racha. Um deles foi o governador Ronaldo Lessa (PSB). Assim que tomou conhecimento do problema, anunciado numa entrevista coletiva convocada por Geraldo Sampaio, ele tentou falar com o seu ex-vice-governador, mas não obteve retorno. A tentativa do governador, entretanto, mesmo que conseguisse falar com Sampaio, poderia ser frustrada. É que o próprio Lessa já divergiu dele quando em seu primeiro mandato (1999-2002) ? e foi assim até o fim. O deputado estadual Marcos Barbosa (PtdoB) também se incomodou com a repercussão que considerou negativa envolvendo o prefeito eleito e seu partido. Para ele o ?pior do problema? é que põe em xeque a ?seriedade? das composições. Barbosa não entende como é possível ?amigos e aliados brigarem antes de assumir o poder?. As divergências que se tornaram públicas motivaram reações na base aliada de Almeida. Em pronunciamento na Assembléia Legislativa, o deputado estadual Gervásio Raimundo (PTB) não se conformava com a declaração de Sampaio, segundo o qual seu ex-pupilo era pior que um ?Judas?. ?Estou aqui para dar apoio ao prefeito eleito. Não acho que ele traiu ninguém. Entendo que ele deve administrar a cidade sem a manipulação de ninguém?, defende Gervásio. Para o deputado Fernando Duarte (PPS), a crise que atinge Almeida representa um fato negativo para os próprios envolvidos. Em sua avaliação, o problema não provoca um ?descrédito? do processo eleitoral. Críticas Muito além das críticas do PDT contra Almeida, a polêmica envolvendo os dois acabou por trazer à tona informações que circularam durante a campanha. Segundo o então candidato Alberto Sextafeira (PSB) dizia em seu guia eleitoral, o candidato do PDT teria ?se vendido aos poderosos?, numa referência à presença de João Lyra em sua coligação. Na semana passada, enquanto confirmava o desejo de ver Almeida fora do partido, o membro das executivas municipal e nacional, advogado Heth César Bismark, negou qualquer acerto financeiro . ?Nem o PDT, muito menos a TV Alagas [de Geraldo Sampaio] receberam dinheiro de João Lyra?, disse.