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BRASIL: PERFIL MÉDIO DOS CANDIDATOS É HOMEM, NEGRO, CASADO E COM ENSINO MÉDIO

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Imagem ilustrativa da imagem BRASIL: PERFIL MÉDIO DOS CANDIDATOS É HOMEM, NEGRO, CASADO E COM ENSINO MÉDIO

Dados do TSE mostram que há mais de 28 mil candidatos registrados para disputar as eleições de 2022. Pela primeira vez nas eleições gerais, brancos não estão em maior número - mas seguem sendo maioria entre os candidatos a cargos executivos: presidente, governador e senador. O candidato médio das eleições gerais deste ano é do sexo masculino (66,6%), tem 49 anos, é casado (52,7%), tem ensino médio (54,9%) e, pela primeira vez, é negro (49,7%). Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até a eleição passada, em 2018, o candidato médio era branco, apesar de a maior parte da população brasileira se declarar como negro. De acordo com dados de 2021 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, 56,1% dos brasileiros se declaram negros — e 43% se consideram brancos. Pesquisador do Centro de Estudos em Política e Economia do Setor Publico, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), e do Núcleo de Justiça Racial e Direito da FGV, Ivan Mardegan afirma que, apesar de negros e mulheres serem a maior parte da população, são grupos sub representados em postos de poder. “Quando a gente fala desses grupos que podem até não ser minorias, como negros e mulheres, mas dentro de postos de liderança, postos de poder, eles acabam sub representados. Isso é fruto de um contexto de desigualdades estruturais que é histórico”, diz. Por isso, o crescimento de candidaturas negras deve ser visto com “naturalidade”, como consequência de uma pressão social crescente e de uma mobilização política histórica, afirma o pesquisador. Entre os motivos para o crescimento dessas candidaturas, o pesquisador do Insper Michael França cita: maior acesso ao ensino superior por pessoas negras; ampliação do debate racial no Brasil; criação de políticas eleitorais para fomentar a participação de minorias, como a reserva de recursos e de tempo de propaganda e forma proporcional entre candidatos brancos e negros; presença de mais candidatos negros incentiva que outras pessoas negras também se candidatem. “É todo um conjunto de situações que é muito difícil a gente definir qual tem um impacto mais relevante que o outro, mas que no conjunto cada umvai ter um papel”, afirma. Apesar do aumento no número de candidatos negros, os pretos e pardos são maioria só nos cargos de menor peso político — deputado estadual e distrital, no Distrito Federal.

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