Política
PREFEITO AFASTADO DO MUNICÍPIO DE RIO LARGO É PRESO PELA PF
Polícia diz que Gilberto Gonçalves tentava obstruir investigação que apura suposto desvio de recursos federais para áreas de educação e saúde
O prefeito afastado do município de Rio Largo, Gilberto Gonçalves (PP), foi preso, na manhã de ontem, em sua casa, pela Polícia Federal (PF) em Alagoas. Ele está sendo investigado em um esquema de desvios de recursos públicos federais, lavagem de dinheiro e organização criminosa com a utilização de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e do Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com a investigação, identificou-se uma atuação visando impedir ou embaraçar a investigação que envolve organização criminosa, crime previsto no art. 2º, §1º, da Lei n. 12850/13. Para o cumprimento das medidas foram mobilizados 12 policiais federais nessa fase ostensiva da operação. Gonçalves está afastado pelo período de 60 dias, por determinação da Justiça Federal, desde a deflagração da Operação Beco da Pecúnia, há duas semanas, que cumpriu 35 mandados de busca e apreensão em 6 municípios alagoanos (Maceió, Rio Largo, Messias, Paripueira, São Sebastião e Palmeira dos Índios) e 1 em São Paulo/SP. Os policiais também cumpriram ordens judiciais de sequestro de bens móveis e imóveis para garantir o futuro ressarcimento aos cofres públicos no valor de R$ 12 milhões. Além de afastar os agentes públicos, a Justiça também acatou o pedido da PF para que estes servidores fossem proibidos de frequentar órgãos públicos do município, de manter contatos entre si e de ausentar-se do país, devendo entregar o passaporte. A proibição também alcançava a imediata suspensão dos contratos entre as pessoas jurídicas e o município de Rio Largo/AL.
O QUE A PF INVESTIGA?
De acordo com a investigação, teriam ocorrido possíveis ilegalidades nas contratações e respectivos pagamentos realizados pelo município de Rio Largo/AL, em favor de duas pessoas jurídicas, para aquisições de material de construção, peças e serviços para veículos, as quais teriam recebido do citado município o valor aproximado de R$ 20 milhões. A apuração identificou que, entre 2019 e 2022, foram realizados 245 saques “na boca do caixa” de contas de tais empresas, com o valor individual de R$ 49 mil, logo após terem recebido recursos de contas do município de Rio Largo/AL, visando burlar o sistema de controle do Banco Central/COAF, que prevê a obrigatoriedade de as instituições bancárias informarem automaticamente transações com valores iguais ou superiores a R$ 50 mil. O nome Beco da Pecúnia é uma referência ao local onde a Polícia Federal flagrou quatro entregas de valores a pessoas vinculadas a Rio Largo, logo após terem sido sacados por duas pessoas ligadas às empresas contratadas pelo Município
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