Política
DEBATE NA TV MAR É MARCADO POR CRÍTICAS AO GOVERNO E APRESENTAÇÂO DE PROPOSTAS
Ausência de Paulo Dantas e Rodrigo Cunha foi duramente criticada pelos candidatos presentes
O debate realizado ontem à noite pela TV Mar com candidatos ao governo do Estado foi marcado pela ausência de Paulo Dantas (MDB) e Rodrigo Cunha (União Brasil), que haviam assumido compromisso com a coordenação do evento mas não compareceram. Sob mediação do jornalista Wyderlan Araújo e em clima de cordialidade e respeito mútuo, o senador Collor (PTB), o ex-prefeito Rui Palmeira (PSD), o professor Cícero Albuquerque (PSol) e o advogado Luciano Almeida (PRTB) criticaram os candidatos faltosos e apresentaram propostas para Alagoas em diversas áreas, como saúde, educação, segurança pública, funcionalismo público, relação com o governo federal e geração de emprego.
O debate da TV Mar com candidatos ao governo do Estado, transmitido ao vivo por suas plataformas digitais e, ainda, em cadeia com as rádios gazetas 98.3 FM Maceió, 101,1 FM Arapiraca, 101,3 FM Pão de Açúcar foi realizado em duas horas. A estrutura do debate foi montada para quatro blocos.
No primeiro, eles fizeram perguntas entre si, a partir da ordem de sorteio tanto para quem fazia o questionamento como quem iria responder. Em seguida, as regras incluíram para o segundo bloco perguntas dos jornalistas que integram a Gazetaweb/Gazeta de Alagoas, Rádio Gazeta FM 98,3 e TV Mar. A partir de temas pré-definidos. No terceiro bloco os candidatos voltaram a fazer perguntas entre si respeitando o sorteio de temas definidos com suas coordenações. O quarto e último bloco foi para garantir as considerações finais e cada um pode falar diretamente para o eleitor de forma livre, sem tema definido.
1° BLOCO
O primeiro bloco se iniciou com o tema governo federal e foi aberto, a partir de sorteio, com uma pergunta do candidato Luciano Almeida (PRTB) dirigida a Fernando Collor (PTB). Diante da ligação do adversário com o presidente Jair Bolsonaro (PL), ele questionou sobre como seria sua relação com uma eventual vitória do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Para Collor, diante da gestão do presidente, mesmo com a atual polarização, Bolsonaro não perderá o pleito, já que são reconhecidas as várias ações feitas para a população. “É notória minha relação com o presidente Jair Bolsonaro. O palanque é formado por mim, numa coligação com o PL, que é o partido do presidente da República. Não vejo nenhuma possibilidade de a resposta das urnas não ser a eleição do presidente que defende Deus, Pátria e a Liberdade. Não tenho dúvidas sobre a vitória do nosso candidato”, respondeu Collor.
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O senador lembrou que, em seu governo como presidente da República, soube dialogar com um de seus adversários, que foi o ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola. “Depois da vitória, recebi a visita de Brizola e construímos uma parceria produtiva para a população do Rio de Janeiro. Realizamos um grande evento que foi a Conferência de Meio Ambiente”.
Numa fala complementar, durante a réplica, Luciano disse que o bem da sociedade deve ser os projetos de ação. “Temos essa visão sem nenhuma questão de ser subalternos e andarmos com o governo federal para enaltecer o nosso estado”. Quando foi sorteado o tema “Funcionalismo Público” foi o senador quem teve a chance de questionar o ex-prefeito Rui Palmeira. Na oportunidade, quis saber o que fará pela categoria se for eleito governador. “Em nosso primeiro mandato, concedemos reajuste nos quatro anos. No segundo mandato, enfrentamos a maior recessão do país, mas pagamos em dia a todos, fizemos concursos, SMTT, Educação, Controladoria e PGM. Sabemos que o Estado precisa de concurso em diversas áreas: saúde e educação, bem como segurança pública: Polícia Civil e PM”, afirmou Rui Em seguida, Collor, além de destacar a fala do adversário, lembrou que foi em seu governo como presidente que foi criada a Lei de valorização dos Servidores Públicos. Ele também assumiu o compromisso com a categoria caso seja eleito. Ao complementar sua resposta na tréplica, Rui aproveitou para lembrar pontos positivos de sua gestão como prefeito. “Apesar das diferenças ideológicas com os sindicatos, tivemos uma mesa de negociações, tiramos eles de casebres onde funcionavam postos de saúde, o mesmo para escolas, creches e contamos com o apoio dos servidores efetivos. Fomos a capital que mais avançou na educação nas capitais do país”, disse Palmeira.
A “segurança pública” também foi discutida logo no início do debate. Quem teve a oportunidade de abordar o tema foi Palmeira, que na ordem do sorteio com a resposta do candidato Luciano. Ele lembrou o aumento da violência, em especial dos crimes de mando, que voltaram a ocorrer. Tanto que citou alguns casos e cobrou uma posição do adversário caso eleito.
“Sempre batemos na necessidade de agirmos com inteligência. Com ele chegaremos facilmente a quem foi o mandante e executor. Como o senhor falou antes da necessidade de concurso, dotaremos as forças com novos quadros. Serão pessoas afeitos a sua área. Além da inteligência estará concomitante a tolerância zero: crimes de mando ou qualquer natureza”, declarou Luciano. Em seguida, Rui concordou com ele sobre a necessidade dos concursos, mas aproveitou para criticar Dantas, a quem lembrou que “fugiu” ao debate. Ele disse que o maior problema, no momento, é a forte politização no governo, com prefeitos e deputados indicando delegados para as cidades alagoanas. “O governador Paulo Dantas, que fugiu ao debate, fugiu da prefeitura de Batalha, pois saiu antes do fim do mandato. O que, na verdade, está ocorrendo é que a nomeação de delegados é feita por prefeitos e deputados. Um absurdo”, criticou Rui. Quando sorteado o tema “geração de emprego”, foi a vez de o professor Cícero Albuquerque perguntar. Por ordem de sorteio, foi Collor quem respondeu. Indagado sobre a valorização de trabalhadores, ele lembrou que foi seu avô, o gaúcho e ex-ministro do Trabalho Lindolfo Collor, quem criou e ajudou a consolidar as leis trabalhistas do País.
“O primeiro-ministro do Trabalho foi Lindolfo Collor, aí está nosso compromisso e está aí nossa forma - com inovação, criatividade e tenacidade. O atual presidente herdou do governo anterior 14 milhões de desempregados e hoje estamos com 9 milhões. O presidente Bolsonaro criou 5 milhões de novos empregos”, destacou Collor.
Sobre saúde pública, Luciano Almeida perguntou ao professor Cícero sobre o fato de o governo ter construído hospitais, porém precarizado a mão de obra dessas unidades.
“A saúde é importante para o povo alagoano. Sou honesto intelectualmente, mas também é importante manter o que já exista. Em relação ao HGE não houve avanço. O funcionalismo público alagoano deu um show na pandemia. O grande avanço é concurso público”, disse Cícero.
Luciano complementou sua posição durante uma réplica e disse que, em seu plano de governo, vai contemplar uma solicitação sobre hemodiálise no interior do Estado. Nesse bloco, Cícero chamou de genocida o presidente Bolsonaro. Por causa disso, Collor teve um direito de resposta e lembrou que chamá-lo por esse adjetivo não combina com a realidade. “Não se aplica a quem compra 500 milhões de doses de vacina”.
2° BLOCO
Nesse bloco, foram os profissionais de comunicação que fizeram suas perguntas. O momento foi aberto pelo âncora da Rádio Gazeta FM 98,3 FM Rogério Costa. Ele destacou como seria possível atrair investimentos diante da atual revolução tecnológica. Por sorteio, Collor respondeu e em seguida Cícero comentou a resposta.
“O que pretendo fazer é garantir um investimento de R$ 10 milhões e incentivar as startups, com bolsas de R$ 2 mil para os nerds buscarem soluções em tecnologia”, disse Collor. Ele também elogiou o evento da Tracto, que é genuinamente alagoano e reuniu recentemente 4 mil pessoas para discutir o mercado de tecnologia.
Já Cícero lembrou que é impossível falar em tecnologia se há milhares de pessoas passando fome. Por isso, acredita que a saída é uma tecnologia social, que dialogue com os problemas da maioria pobre do Estado. “Atualmente a tecnologia é o que nos faz pensar e olhar para o futuro com olhar social e humano. Nossa realidade mostra que precisamos galgar novos planos e isso está ligado à inovação tecnológica”, completou Collor. Em seguida, foi a vez de a jornalista Porlane Santos, da TV Mar, falar sobre os impactos da seca e as perspectivas de se conviver com essa realidade. Ela cobrou um plano dos candidatos. “O Nordeste vem sendo tratado há muito como um problema, mas somos muito mais - o semiárido alagoano é um filé. O nosso problema não é seca, mas a cerca. É preciso dar oportunidade ao povo nordestino. O próprio governo Lula investiu em soluções tecnológicas como o Canal do Sertão”, disse Cícero. Ao comentar, Collor lembrou que foi em seu governo, em Alagoas, que foi iniciada há 30 anos o Canal do Sertão. “Essa obra é fundamental ao semiárido alagoano e que vai até a Arapiraca. Ele vai dar condições de instalação de pequenos produtores rurais que vão tirar o seu sustento”, completou o senador. O jornalista Thiago Gomes, da Gazetaweb/Gazeta de Alagoas, indagou sobre o clima de polarização e como isso será enfrentado se o vitorioso, em Alagoas, for de uma corrente política divergente do presidente eleito. “Estamos pregando a caracterização da nova política, de fora dela, de quem não quer ser profissional dela. Quando um gestor estadual, visando a um projeto pessoal para se perpetuar, quem sai perdendo é o povo. O povo mais carente. Seja o que for eleito, nosso governo, por meio de nossos senadores e deputados federais, estará buscando recursos, pois passa governo e entra governo e os índices sociais são os mesmos. Iremos sair do gabinete para conversarmos com vereadores e prefeitos e façamos ações buscando recursos para que com isso haja a melhoria do povo. Não importa o pai da criança, queremos é dar prosperidade ao povo de Alagoas”, respondeu Luciano.
Ao comentar, Rui lembrou que adquiriu habilidade política para lidar com situações assim. “Quando prefeito dialoguei com Dilma, Temer e Bolsonaro. É preciso ter uma equipe técnica e estar preparado para dialogar. Conseguimos o benefício de 10 mil casas e outras seis mil que estão sendo entregues. Isso mostra que temos capacidade de diálogo”, disse o ex-prefeito.
A jornalista Mariane Rodrigues, da Gazetaweb/Gazeta de Alagoas, indagou sobre os efeitos da pandemia na educação e suas consequências negativas: perda no aprendizado, problemas psicológicos sentidos por professores e alunos. “Tenho orgulho do trabalho que fizemos na educação. Dobramos a quantidade de merenda, entregamos uniforme completo, avançamos muito. Fomos a capital brasileira que mais cresceu no Ideb. A Covid trouxe muitos problemas. Precisamos criar um programa de busca ativa. Pagar uma bolsa para as mães e aos colegas para buscar os estudantes que estão distantes, para acabarmos com a distância ano/série. Vamos buscar parceria para o aluno que perdeu o tempo e investir na formação profissional”, afirmou Rui.
Almeida comentou que, para combater o deficit de aprendizagem, o importante é garantir a aquisição de notebooks para a criança, equipamentos que fizeram falta durante a pandemia.