Política
SUSPENSÃO DO PAGAMENTO DO PISO FRUSTRA PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM
Decisão foi tomada pelo ministro Luiz Roberto Barroso, do STF, para avaliar impacto financeiro
Os profissionais da enfermagem vivem momento de frustração e expectativa após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso suspender o piso salarial nacional da categoria. A decisão ocorreu no último domingo (4), quando também foi estipulado prazo de 60 dias para entes públicos e privados da área da saúde esclarecerem o impacto financeiro e os riscos para empregabilidade no setor.
O presidente interino do Conselho Regional de Enfermagem de Alagoas (Coren-AL), Paulo Guimarães, disse que trabalhadores estão decepcionados e que muitos deles já contavam com o novo salário este mês. A categoria não vai ficar de braços cruzados e aguarda esta semana um posicionamento do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).
“Muito triste o que aconteceu. Ninguém esperava uma coisa dessa. O piso foi estudado e discutido em todas as instâncias: União, Estados e municípios. Veio do Senado, passou pelos deputados e teve a sanção do presidente. Tudo foi analisado. Ninguém esperava uma coisa dessa”, lamenta Paulo Guimarães.
Segundo o presidente interino do Coren, a semana deve ser marcada por reuniões para discutir a suspensão do piso pelo ministro Barroso. “Estamos aguardando as posições do governo federal e do Cofen sobre a medida. O ministro precisa justificar porque fez isso. Acredito que deve ter sido pressão dos hospitais, mas isso não justifica porque já se sabia o impacto do novo piso. Em plena pandemia trabalhamos duro e corremos o risco de levar a doença para dentro de casa e acontece uma coisa dessa”, acrescenta.
Paulo Guimarães fala que alguns hospitais privados de Alagoas já começaram a pagar o piso ao pessoal da enfermagem, mas que outras unidades de saúde pagam salário muito baixo, cerca de R$ 2,5 mil.
A decisão cautelar do ministro foi concedida no âmbito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7222 e será levada a referendo no plenário virtual do STF nos próximos dias. A ação foi apresentada pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços (CNSaúde), que questionou a constitucionalidade da Lei 14.434/2022, que estabeleceu os novos pisos salariais.
Entre outros pontos, a CNSaúde alega que a lei seria inconstitucional porque a regra que define remuneração de servidores é de iniciativa privativa do chefe do Executivo, o que não ocorreu, e que a norma desrespeitou a auto-organização financeira, administrativa e orçamentária dos entes subnacionais
A lei institui o piso salarial nacional para enfermeiros, técnicos de enfermagem, auxiliares de enfermagem e parteiras. No caso dos primeiros, o piso previsto é de R$ 4.750. Para técnicos, o valor corresponde a 70% do piso, enquanto auxiliares e parteiras terão direito a 50%.
Em trecho da decisão, Barroso argumenta que “é preciso atentar, neste momento, aos eventuais impactos negativos da adoção dos pisos salariais impugnados” e “trata-se de ponto que merece esclarecimento antes que se possa cogitar da aplicação da lei”.
Em nota enviada à Gazeta, a Secretaria de Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag) diz que o governador Paulo Dantas (MDB) usou o twitter para anunciar que vai garantir o piso da enfermagem. “Em Alagoas, independente da decisão do STF, temos autonomia para garantir o piso da enfermagem e assim vamos fazer. A categoria pode contar comigo”, publicou.
“Paulo reforçou que lei estadual já estabelece o piso mínimo para enfermeiro, técnico de enfermagem, auxiliar de enfermagem e parteiras foi sancionado em janeiro deste ano pelo então governador Renan Filho. Ele foi aprovado por unanimidade pela Assembleia Legislativa de Alagoas e regula o piso salarial mínimo dos profissionais de enfermagem nas instituições de saúde públicas e privadas em todo o estado, com base em jornadas de trabalho de 30 horas semanais. Os valores serão escalonados com aumento gradual de 2022 até 2025”, informa trecho da nota da Seplag.