Política
Em duas cidades, a elei��o ainda n�o acabou
ODILON RIOS As urnas eletrônicas ainda não definiram qual o destino político de duas cidades alagoanas: Traipu e Satuba. Na primeira, depois que as eleições foram anuladas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a disputa envolve os mesmos grupos políticos, que vão lançar candidatos diferentes na disputa. O prefeito de Traipu cassado pelo TSE, Marcos Santos, anunciou esta semana que vai apoiar seu vice e sobrinho, Valder Santos. No outro lado da trincheira, a candidata Rosa Melro (PSB) pode desistir da disputa, como anunciou seu marido, o ex-prefeito José Afonso. ?Estamos conversando e avaliando os nomes de Rosa e Ildo Mendonça, do PTB?. A estratégia do grupo político coordenado pelo ex-prefeito, que já teve como vice o atual rival nas urnas, Marcos Santos, é evitar que a nova eleição aconteça ainda este ano. ?Nós entramos com recurso para que a eleição aconteça a partir de janeiro. Se não conseguirmos, vamos apoiar o Ildo Mendonça?, avaliou. Segundo José Afonso, Mendonça é apoiado pelo deputado federal e usineiro João Lyra (PTB). O entrave, para José Afonso, seria o tempo. A estratégia é evitar que o candidato lançado pelo atual prefeito fique com a mesma margem de votos de Marcos Santos, que, antes de ser cassado pelo TSE, ganhou a eleição com pouco mais de 56% dos votos válidos. De acordo com a resolução 14.090, elaborada esta semana pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), e que disciplina a eleição em Traipu, os candidatos devem escolher os nomes que irão disputar a Prefeitura até hoje, e amanhã, de acordo com a resolução, formalizar o registro da candidatura. Perfil O atual prefeito Marcos Santos e o vice-prefeito José Afonso Freitas Melro são velhos conhecidos em relatórios federais apontando supostas irregularidades na prefeitura de Traipu. O caso mais recente é em uma auditoria realizada pela Controladoria Geral da União (CGU), onde ficaram constatadas a contratação de empresas sem habilitação fiscal para a construção de casas populares e outras irregularidades, apontou o relatório da CGU, nas áreas de Saúde, Educação e Cultura. Todas teriam acontecido na gestão do prefeito Marcos Santos. No caso de José Afonso, chama atenção a quantidade de vezes que seu nome aparece na relação de responsáveis por contas julgadas irregulares pelo Tribunal de Contas da União (TCU), emitida no dia 11 de novembro deste ano: nove vezes. Os relatórios da CGU e do TCU podem ser acessados na Internet nos sites www.cgu.gov.br e www.tcu.gov.br. Satuba Em Satuba, a situação política não está nem definida. A prefeita eleita, Cícera do Bar (PL), não pode assumir o cargo até que a Justiça Eleitoral decida se ela é ou não analfabeta, situação que inviabilizaria Cícera no cargo. Pela lei eleitoral, os analfabetos não podem concorrer a cargos públicos, ou seja: podem votar, mas não ser votados. Segundo a promotora eleitoral, Maria José Alves, existe uma possibilidade de que o caso de Satuba seja resolvido nesta semana. A juíza eleitoral Maysa Cesario não quis falar sobre o assunto, porque estava com problemas particulares na família. Em todos os lados, o clima é de expectativa. Segundo o advogado José Costa, que defende a prefeita eleita, ?o caso está sendo analisado pela juíza e, pelos prazos normais, pode ser resolvido nesta semana?. Em entrevista na terça-feira, a promotora disse que o processo que apura se a prefeita é ou não analfabeta, a partir da sexta-feira passada, poderia estar nas mãos da juíza. ?A prefeita já havia feito uma prova para vereadora e passou?, defendeu Costa. Já o atual prefeito Zezito Costa (PMN) prefere não adiantar nada sobre o assunto. Pediu que a GAZETA entrasse em contato com seu advogado, Álvaro Torres, mas o telefone dele estava desligado. Cícera do Bar fez uma prova com questões de matemática e português e acabou sendo avaliada como ?analfabeta funcional? por professores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). A discussão sobre analfabetos na eleição provocou polêmica no TRE durante o processo eleitoral. Os juízes do tribunal defendiam que analfabeto seria aquele que não sabia ler e escrever, mas não conseguiram chegar a um consenso sobre o conceito de analfabeto funcional e se ele teria condições de assumir o cargo.