Política
MOVIMENTO NACIONAL DE MULHERES QUER AUMENTAR REPRESENTATIVIDADE
Luta é para a elaboração de uma ‘carta-compromisso” com as candidatas nas eleições deste ano
A busca por espaço cada vez mais qualificado na política, com o aumento da representatividade feminina no Poder Legislativo, deu origem a uma grande mobilização nacional do Grupo Mulheres do Brasil. A luta é para a elaboração de uma ‘carta-compromisso com as candidatas no pleito deste ano para tornar as mulheres protagonistas e não apenas uma representação por cota nas eleições.
Foi assim que nasceu o “Pula para 50” que visa construir um caminho sólido e reconhecido pela sociedade para a necessidade e construção do aumento da representação feminina. As articuladoras debatem essa questão tendo como base o fato de serem maioria no eleitorado, mas que não têm isso refletido na ocupação de cargos na Câmara e no Senado Federal.
Um exemplo dessa situação ocorre aqui em Alagoas, onde a presença de mulheres com candidaturas registradas no pleito deste ano aumento apenas 5%. E um detalhe importante: nem o Partido da Mulher Brasileira (PMB) tem uma mulher encabeçando a disputa para o governo do Estado.
NECESSÁRIA
Em seu segundo ano como vereadora, a vereadora Teca Nelma (PSD), que também tenta uma vaga na Assembleia Legislativa, teve em casa o exemplo de como a presença feminina faz a diferença. A mãe, deputada federal Tereza Nelma (PSD), que tenta a reeleição, é sua principal referência. Em especial por ter feito de sua carreira uma extensão de pautas de interesse da mulher seja em assistência social e, em especial, na área da saúde. Teca, porém, sabe que isso é uma exceção, por isso defende não só o debate sobre o amento de vagas, como mobilizações mais efetivas para que se concretize. Na Câmara Municipal de Maceió tem colocado seu mandato, entre outros temas, a serviço da causa feminista. “Essa mobilização é muito necessária para que seja cada vez mais naturalizado a presença feminina nos espaços políticos. Se somos maioria da população, nada mais justo que estejamos devidamente representadas no Parlamento e nos cargos executivos”, confirmou Teca.
Ela disse, ainda, que também assinou a carta-compromisso por entender que o único caminho para a luta feminina é a conquista de mais espaços de representatividade.
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“Eu assinei a carta compromisso do Grupo Mulheres do Brasil, que é um coletivo parceiro em muitas lutas em defesa dos direitos das mulheres, e pretendo defender na Assembleia Legislativa as demandas femininas. O tipo de movimento feito por esse grupo, e por diversos outros, contribui para ampliar a ideia de que mais mulheres na política é possível e é uma urgência em Alagoas e no Brasil”, completou Teca.
IMPORTANTE
Segundo a professora e cientista política da Ufal Luciana Santana, a mobilização feita em todo o Brasil é muito importante, em especial porque vai além da representatividade. A questão central passa pelo comprometimento com pautas que discutam e melhorem a qualidade de vida das mulheres. “Não é só ampliar a representação política feminina, mas fazer que os eleitos e eleitas levem a frente pautas que efetivamente façam a diferença na vida das mulheres. A importância desse pacto é garantir que políticas públicas voltadas para as mulheres, ou majoritariamente utilizadas para elas possam ter uma atenção especial e garantam uma qualidade para resolver os problemas que temos em diferentes áreas”, analisou Luciana. Luciana lembra que a pressão que o movimento exerce, neste momento, mas também após o processo tem sido decisiva para a discussão de temas e inclusão de pautas de interesse das mulheres. “Sabemos que majoritariamente nos espaços de representação existem mais homens, que muitas vezes não são sensíveis com demandas específicas das mulheres. E não apenas isso, mas porque as mulheres ainda estão à frente da recepção de políticas públicas seja de assistência social e educação. São elas responsáveis de atividades sociais, como cuidado de crianças e idosos”, lembrou Luciana.