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SEM FECOEP, CUFA/AL DISTRIBUI ALIMENTOS DOADOS PELOS PAULISTAS

CadÚnico contabiliza 1,8 milhão de alagoanos na miséria; desempregados cobram cestas básicas do governo do Estado

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Imagem ilustrativa da imagem SEM FECOEP, CUFA/AL DISTRIBUI ALIMENTOS DOADOS PELOS PAULISTAS

No horário político da propaganda eleitoral, as imagens apresentadas por alguns candidatos às eleições gerais de outubro mostram a Saúde, Educação, Segurança Pública, Assistência Social com prestação de serviço de primeiro mundo. Os pobres aparecem sorridentes. A realidade, de acordo com os números oficiais, é muito diferente. A estatística do Cadastro Único mostra que dos 3,3 milhões de habitantes dos 102 municípios, 1,8 milhão está em situação de vulnerabilidade social. Dentre eles, têm mais de 1,2 milhão de pessoas com renda inferior a R$ 89/ mês que catam restos de feiras livres e/ou recebem donativos de entidades não governamentais. Muitos ouviram falar no Fundo de Combate à Pobreza e se queixam da fome. Entidades que assistem os mais pobres, como a Central Única das Favelas, nunca receberam recursos do Fecoep. A Cufa/AL precisa de alimentos para socorrer 15 mil favelados inscritos na entidade. Sem recursos do Fecoep e de prefeituras, a entidade pediu ajuda em outros estados. Conseguiu recentemente mais de seis toneladas de alimentos doados pela população de São Paulo, revelaram os coordenadores da Central. As cestas básicas atenderam um terço da demanda central. Entre os mais pobres, desempregados, ambulantes, biscateiros, tem também marisqueiras e pescadores em situação de extrema miséria. A marisqueira Marilene Frias da Silva, 70 anos, é uma delas e demonstrou isso ao abrir a geladeira velha na manhã de quarta-feira, 7 de Setembro, quando o Brasil comemorou 200 anos de Independência de Portugal. Não tinha nada para o café da manhã e para almoçar naquele dia histórico. “Tem uma semana que a gente enfrenta dificuldade para se alimentar. O sururu desapareceu, por causa do grande volume de água doce. As chuvas registradas desde março nas lagoas impedem a reprodução de mariscos, crustáceos e de peixes. Até os pescadores voltam com os barcos vazios”, disse Marilene ao mostrar panelas vazias. Ela vive num barraco de madeira velha com o marido, Manoel Messias da Silva, de 74 anos, pescador. A casa fica às margens da lagoa Mundaú, bem próxima da sede da Federação dos Pescadores. Manoel recebe R$ 1.212,00/mês do Benefício da Prestação de Ação Continuada (BPC) previsto na Lei Orgânica Social (Loas) que garante um salário mínimo para idosos, com mais de 65 anos de idade. “A gente gasta quase tudo com remédios. O pouco que sobra é para pagar luz, comprar gás de cozinha. A gente depende da cesta básica, mas há muito tempo ninguém doa nada”, lamentou Manoel foi picado pelo mosquito Aedes aegypti, está com chikungunya e anda com dificuldade. “A minha situação e a de muitos pescadores pobres das lagoas é de fome”, disse constrangido. Situação semelhante de 500 famílias de marisqueiras e pescadores que moram na “Favela do Peixe”, também conhecida como “Favela da Torre”, um conjunto de barracos de papelão e de madeira velha que fica embaixo da torre de eletricidade, próxima ao Papódromo, na região do Dique estrada. Edna da Silva e Daise Maria dos Santos foram cadastradas pela prefeitura de Maceió e esperam um dos apartamentos em construção na região e não escondem as dificuldades para se alimentar. “Na propaganda política, os candidatos dizem que estão nos ajudando. Falam em doação de milhares de cestas básicas. Como é que faço para ganhar pelo menos uma cesta dessas dos candidatos?” questionou a marisqueira.

Os pescadores José Cícero de Souza Santos, Marcelo Lima, Eduardo José da Silva, Cleisson Marcelo de Lima, revelaram que a pescaria caiu muito nos últimos dois meses e não conseguem pagar a taxa mensal de R$ 20 da Colônia de Pescadores Z-16. Para não morrerem de fome, estão raspando o fundo da lagoa a fim de encontrar o sururu. Pequeno, o molusco tem pouco valor comercial. “No início da pandemia a gente recebia cestas básicas das Igrejas, de voluntários, da prefeitura. Há mais de um ano não chega nada. Nem a ajuda que prometeram para quem teve o barraco invadido pela chuva”, disseram os pescadores que esperam o auxílio chuva. Mais de 400 famílias da comunidade Peixe estão com fome. Alguns recolhem restos de frutas e de verduras no Mercado da Produção, confirmou o pescador José Cícero.

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