Política
Para categoria, MP est� ferido de morte
LUIZA BARREIROS O presidente da Associação do Ministério Público de Alagoas (Ampal), José Antônio Malta Marques, acusou ontem o governador Ronaldo Lessa de ter agido como um ?ditador?, ao deixar de nomear para o cargo de procurador-geral o mais votado na lista tríplice encaminhada pela categoria. ?O Ministério Público está hoje ferido de morte por esse ato ditatorial?, disse, pouco antes do início de uma reunião da diretoria, convocada em caráter extraordinário na noite de ontem para discutir o assunto. Dizendo-se ?estarrecido? e ?triste? pela decisão do governador, Malta Marques afirmou que, apesar de ser legal, a decisão de Lessa ?vai de encontro a todos os anseios do Ministério Público em caráter nacional?. Para ele, o dispositivo constitucional que dá cobertura jurídica para a escolha de qualquer dos nomes da lista tríplice, é um ?resquício da ditadura?. ?Juridicamente ele [Lessa] está coberto, mas foi antidemocrático e antiético?, acusou. Ele também questionou o fato de os representantes do Judiciário e do Legislativo terem participado da escolha. ?Entendemos que eles devem se ater aos problemas dos seus poderes ? e nos perguntamos qual o interesse que eles podem ter em opinar na escolha do representante de um órgão que tem, entre outras atribuições, o poder de fiscalizar crimes de improbidade administrativa?, questionou Malta Marques. O presidente da Ampal disse ainda considerar que Lessa colocou Coaracy Fonseca numa ?situação delicada? perante a categoria. ?Ele administrará a instituição com o apoio de apenas 30% dos votantes?, observou. Para Malta Marques, a partir de agora o MP deve dar ao governo do Estado o mesmo tratamento que foi dado à categoria quando não foi acatada a decisão da maioria. ?Ele deu uma demonstração total de desprestígio da categoria?, observou. Arbítrio A crise institucional também é prevista pelo procurador de Justiça Arnoldo Chagas, membro do Colégio de Procuradores. ?A escolha através de lista tríplice é um entulho do arbítrio e, por ser um democrata, filho da resistência contra a ditadura, Ronaldo Lessa não poderia se insurgir contra a decisão da maioria?, afirmou Chagas.