Política
Lessa escolhe Coaracy Fonseca para chefiar MP
LUIZA BARREIROS O promotor de Justiça Coaracy José de Oliveira Fonseca, 35 anos, será o novo procurador-geral de Justiça do Estado de Alagoas a partir de 1º de janeiro. Apesar de ter sido apenas o terceiro mais votado pelos membros do Ministério Público de Alagoas (MP), na eleição realizada na última terça-feira para compor a lista tríplice de candidatos, Fonseca foi escolhido ontem pelo governador Ronaldo Lessa (PSB) para ocupar a chefia da instituição no biênio 2005/2006. O ato de nomeação será publicado hoje no Diário Oficial, assinado pelo governador em exercício, Luis Abílio de Sousa (PSB). Coaracy Fonseca foi procurador-geral do Município de Maceió quando Lessa era prefeito da capital. A notícia da escolha de Fonseca foi recebida com surpresa pelos membros do MP, que esperavam que o nomeado fosse o ex-procurador-geral de Justiça Lean Araújo. Ele encabeçava a lista tríplice, após ter recebido 100 votos da categoria. Eduardo Tavares, o segundo colocado, recebeu 81 votos e Coaracy Fonseca, o escolhido, 53 votos. Esta foi a primeira vez na história do Ministério Público de Alagoas que a vontade da maioria da categoria não foi respeitada pelo chefe do Executivo. Ainda assim, não há nenhuma ilegalidade na decisão do governo, já que a Constituição Estadual dá ao governador a prerrogativa de escolher entre os três nomes constantes da lista enviada pelo MP. Renovação Segundo o governador em exercício Luís Abílio, o governador Ronaldo Lessa tomou a decisão no início da tarde de ontem, depois que o próprio Abílio se reuniu com os presidentes do Tribunal de Justiça, desembargador Washington Luiz, e da Assembléia Legislativa, deputado Celso Luiz (PSB). O ato de nomeação sairá assinado pelo governador em exercício porque Lessa chegou a Maceió no início da tarde, vindo de Salvador, e no início da noite voltou a viajar, para o Rio de Janeiro, onde participa hoje de um evento voltado para investidores, promovido pelo jornal Gazeta Mercantil. ?A lista era tríplice e o governador tinha a prerrogativa legal de escolher entre os três?, justificou Abílio, afirmando que não houve nenhum tipo de arbitrariedade ou ilegalidade na escolha. Para ele, Coaracy trará ?sangue novo? e ?oxigenará? o Ministério Público. ?O critério de escolha foi compartilhado com os chefes dos outros Poderes, e foi feita a opção pela renovação, para melhorar mais ainda a atuação do MP?, complementou. A GAZETA apurou que Abílio foi, na verdade, o maior responsável pela escolha de Coaracy Fonseca. Washington Luiz e Celso Luiz tinham compromisso com o candidato Luciano Chagas, que ficou fora da lista tríplice porque obteve apenas 40 votos. Na ausência de Chagas, os dois teriam passado a defender a nomeação de Coaracy, com a condição de que Luciano Chagas fosse escolhido procurador-geral de Justiça substituto. Ontem, Coaracy admitiu que essa possibilidade ?está sendo estudada?. Além disso, Coaracy Fonseca chega a ter um parentesco ? distante ? com Abílio: ele é concunhado de uma filha do vice-governador. ?É claro que isso não pesou na decisão. Até porque uma decisão dessas não pode ser tomada por questão pessoal. O laço de parentesco é comigo, e a palavra final foi dada pelo governador Ronaldo Lessa?, afirmou Luís Abílio. Alternância Coaracy Fonseca disse ontem que a escolha do seu nome foi ?democrática?, por ter priorizado a renovação. ?Nós vivemos numa república, o que pressupõe alternância de poder?, afirmou. Ele disse ainda que não se sentiria constrangido por assumir a chefia do MP tendo sido o menos votado da lista. ?Encaro a questão sob o ponto de vista constitucional, e a Constituição prevê que o governador pode escolher um dos três, e não apenas o mais votado?, avaliou. O futuro procurador-geral disse também se sentir ?legitimado? para chefiar a instituição, por ter recebido votos da categoria para ingressar na lista tríplice. ?Represento principalmente os promotores de Justiça que atuam no interior do Estado, e meus votos foram todos ideológicos?, afirmou. Em 1996, quando ingressou no MP, Coaracy Fonseca foi o 3º colocado no concurso público promovido pela Fundação Carlos Chagas.