Política
Juiz ouvir� deputado suspeito em seq�estro
GILVAN FERREIRA O juiz da 3ª Vara Criminal de Competência Não Privativa, Hélder Loureiro, vai pedir licença à Assembléia Legislativa de Alagoas para ouvir o depoimento do deputado estadual Luiz Pedro (PDT) sobre o seqüestro de Carlos Roberto Rocha Santos, que ocorreu em agosto deste ano, em um dos conjuntos habitacionais de propriedade do parlamentar, no Tabuleiro. Dois funcionários do deputado ? Adézio Rodrigues Nogueira e Láercio Pereira Barros ? foram identificados pela esposa de Carlos Roberto, Alessandra Cristina da Silva. Junto com mais dois homens, eles teriam invadido o barraco do casal, no dia 12 de agosto deste ano. Carlos Roberto foi levado de casa e desde então está desaparecido. Segundo o juiz Loureiro, por ter foro privilegiado garantido pela Constituição Estadual, o deputado Luiz Pedro tem o direito de escolher dia, hora e local para prestar depoimento. O magistrado vai encaminhar um ofício à presidência da Assembléia pedindo autorização para ouvir o parlamentar no próximo dia 10, quando serão ouvidas mais cinco testemunhas do processo. ?Espero que o deputado Luiz Pedro compareça ao depoimento sem a necessidade de autorização da Assembléia Legislativa, como garante a Constituição. Nosso objetivo é esclarecer fatos relacionados à suposta participação de seus funcionários no seqüestro da vítima?, disse Loureiro. Acareação No começo desta semana, em depoimento ao juiz Loureiro, a esposa de Carlos Roberto disse que seu marido havia sido alertado para a possibilidade de ser assassinado por pessoas ligadas a Luiz Pedro. ?Eu me recordo plenamente de uma conversa que tive com meu esposo, em abril deste ano, quando contei a ele que tinha tido conhecimento, através de um dos proprietários de um dos lotes de terra na horta comunitária, e ele disse que tinha participado de uma reunião onde estava o deputado Luiz Pedro, e ele [o deputado] falou em alto e bom som que não ia admitir em suas terras pessoas usuárias de drogas, e disse que a próxima vítima seria o meu marido, Carlos Roberto?, contou Alessandra, em seu depoimento à Justiça. Ela disse, na presença dos dois funcionários do deputado, que os reconhecia como sendo dois dos quatro homens que invadiram sua casa, na madrugada de 12 de agosto e, armados com revólveres 38, ?arrancaram? seu marido de sua residência. A mulher da vítima disse também ao juiz que, depois do seqüestro, o deputado Luiz Pedro foi à residência de seu sogro, Sebastião Rocha, no Benedito Bentes, e teria garantido que, se os responsáveis pelo seqüestro de Carlos Roberto fossem seus funcionários, ?ele sequer levaria para a delegacia: ele mesmo, pessoalmente, cuidaria de eliminá-los, matá-los com as próprias mãos?. O juiz Loureiro disse que, diante das acusações de Alessandra Cristina, pretende uma acareação entre ela e o deputado.