Política
Dirigentes do PDT recuam e buscam acordo com Almeida
CELIO GOMES ODILON RIOS A cúpula do PDT alagoano joga a toalha e levanta a bandeira de paz para seu mais ilustre filiado, o prefeito eleito de Maceió Cícero Almeida. Dois membros da Executiva Estadual do partido ? Corintho Campelo da Paz e Heth César ? viajaram ontem, no começo da tarde, ao Rio de Janeiro, para um encontro com o presidente nacional da legenda, Carlos Luppi. Levaram na mala a nova posição do presidente regional do PDT, Geraldo Sampaio, sobre a possibilidade de acordo com Almeida: ?É muito difícil o entendimento, mas não impossível. Tudo vai depender do partido?, adiantou o jornalista Wagner Melo, assessor do PDT, ao transmitir a posição oficial de Sampaio. Ainda alfinetando o prefeito, o presidente do PDT também mandava recados: ?O mais interessante é que o prefeito cumpra as promessas de campanha?. A postura do presidente do PDT é bem diferente da adotada por ele há três semanas, quando, ao convocar a imprensa, desabafou: ?Saia do PDT!?, dirigindo-se a Almeida. Na ocasião, chegou a chamar o prefeito de ?traidor?, comparando-o a Judas. Na semana passada, em entrevista à GAZETA, Sampaio voltou a falar do episódio e da sua relação com ?Ciço?, como costumava chamar o prefeito, durante a campanha eleitoral: ?Não quero papo?. A ruptura aconteceu por causa da distribuição dos cargos do futuro governo municipal. As três secretarias oferecidas ao partido ? Cultura, Planejamento e Administração ? não agradaram a Geraldo Sampaio. As secretarias mais ?valiosas? foram distribuídas por critérios definidos pelo deputado federal João Lyra (PTB), pai da vice-prefeita eleita Lourdinha Lyra. Jacarés e elefantes ?Em política tudo é possível. Jacaré pode voar e elefante mergulhar?, disse um dos dirigentes regionais do PDT, Corintho Campelo da Paz, que, desde o começo da crise entre PDT e Cícero Almeida defendia uma postura diplomática, tentando salvar o partido da delicada situação política, logo após as eleições: sem representantes na Câmara de Vereadores, Assembléia Legislativa e sem cargos no governo estadual. ?Para tudo existe conciliação?, afirmou Campelo. Ele se propôs até a colocar um ponto final na briga entre Almeida e Sampaio. ?Vamos pôr merthiolate para curar as feridas abertas?. Pelo menos no discurso, nem todos comemoravam ontem a nova intenção de Geraldo Sampaio, como Heth César. ?Eu coloquei o documento pedindo a expulsão de Almeida do partido, e não retiro?, disse. De acordo com César, ?era muito difícil voltar atrás na decisão. Para a população, é mais interessante que o PDT adote uma postura de oposição e independência?. Mas essa não é a posição que predomina no partido. As partes conversam para o entendimento, como defende Campelo e o próprio Sampaio. Os cargos Com o fim do impasse, o futuro prefeito poderá concluir a formação de seu secretariado, com as três pastas que deixou para serem ocupadas pelo PDT. Uma delas ? a de Planejamento ? já tem um titular: o ex-deputado e ex-superintendente da Sudene, Elionaldo Magalhães. Além disso, o escolhido para dirigir a Guarda Civil Municipal ? o delegado João Mendes ? também é dos quadros do PDT. Sua escolha foi feita na semana passada, como a GAZETA antecipou no último sábado. Aos poucos, os cargos vão saindo e a crise desaparece.