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CAMPANHA: ÚLTIMA SEMANA É MARCADA POR TROCA DE FARPAS E INSULTOS

Para cientista política, candidatos tentaram desconstruir uns aos outros e trocaram debate por ataques

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Imagem ilustrativa da imagem CAMPANHA: ÚLTIMA SEMANA É MARCADA POR TROCA DE FARPAS E INSULTOS

A consolidação dos números das últimas pesquisas fez os principais candidatos ao governo do Estado adotarem estratégias diferentes na última semana de campanha. Se por um lado o candidato governista Paulo Dantas (MDB) manteve sua agenda repetitiva de sustentar que seu governo será de continuidade, por outro Rodrigo Cunha (UB), Rui Palmeira (PSD) e Fernando Collor (PTB) partiram para o ataque. O que antes estava mais explícito nas redes sociais também ganhou o guia eleitoral, em especial com as edições a partir dos debates promovidos pelas principais emissoras da cidade. Insultos, farpas e ataques pessoais, inclusive com vídeos antigos, outros novos, relato de processos passados ou engavetados tiveram espaço garantido, em detrimento da ênfase nas propostas. Poucos foram os candidatos que conseguiram dedicar tempo maior aos índices sociais que colocam o Estado numa situação de atraso em relação aos demais da mesma região. Alagoas lidera em analfabetismo e índice de desenvolvimento humano. Até mesmo a violência, que havia arrefecido, tem números crescentes na capital. Mas e as soluções? Os caminhos para contornar esses dados? De forma consistente não apareceram com clareza. As propostas naufragaram em suposições e gestos sem fundamentação. A miséria que assola o interior e os bolsões da periferia da capital até ilustrou as propagadas. Porém, efetivamente não encontraram saídas sólidas pelos candidatos. A vaidade de se apresentarem como “supercapazes”, com ênfase em trajetórias pessoais, superou a demonstração de como construir o caminho para a superação dos problemas em quatro anos. Nos debates, os formatos de alguns deles e a falta de objetividade esvaziaram o conteúdo. Em geral, quando os candidatos perguntavam entre si, não deixavam de alfinetar-se. A sintonia com as demandas sociais urgentes da população deu lugar à ironia. E isso foi se refletindo ao longo dos guias eleitorais. Tanto no rádio como na TV a escolha dos temas em alguns casos enfatizou biografias, em vez de construir o caminho para o futuro. A tecnologia, presente no dia a dia dos eleitores, não foi apresentada como ferramenta para ajudar na transformação da realidade. Para os que dispunham de mais recursos do Fundo Partidário, os clipes, as imagens com qualidade cinematográfica, foram adotadas como estratégia. Ou seja, prevaleceu o tom de propaganda, com os eleitores e correlegionários aparecendo como figurantes de peças muito elaboradas, mas pouco representativas para o principal: os quatro anos de gestão. Em alguns casos, os candidatos proporcionais - estaduais e federais - foram mais propositivos. Entretanto, com temas de perfil executivo, em alguns casos, de responsabilidade do governo federal.

Ideologicamente, a polarização que marca a disputa nacional também entrou nas falas dos candidatos majoritários. Uns escondendo quem os apoia. Outros enfatizando-os e se apropriando dos lemas e frases de efeito adotadas.

O fato é que não houve nenhuma fala consistente para contrapor a da máquina governamental. Esta por sua vez consolidou o seu candidato e o padrinho. Sobrando, assim, um engalfinhamento pela segunda vaga. E aí ficou a desejar os projetos de gestão.

ANÁLISE

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A cientista política e professora da Ufal Luciana Santana acompanhou com detalhes todo o desenrolar das campanhas. Em especial na reta final, onde o que era de maior relevância deveria ser consolidado. Em sua análise, os candidatos ficaram iguais na intenção de desconstruir uns aos outros, em vez de edificarem discursos convincentes. O debate de ideias deu lugar ao ataque. O questionamento à proposição. “Há uma tentativa de conquistar o eleitor indeciso, mas não foram eficientes nas estratégias adotadas. Isso por causa das campanhas negativas. Dos ataques aos adversários. Faltou mostrar conflitos que pudessem melhorar as condições da competição política. Acho que faltou uma campanha mais propositiva, de forma geral”, disse Luciana. Fica mais claro entre os que disputam a segunda colocação na disputa majoritária. “Esses atores centrais trabalharam para conquistar esse eleitor, mas que não dialogaram com o que eles queriam ouvir. Com o que mudasse a vida deles e mostrasse que há condições de fazer isso com capacidade de efetiva”, completou a cientista.

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