Política
Deputados criticam reajuste do Judici�rio
MARCOS RODRIGUES A sessão plenária de ontem da Assembléia Legislativa (ALE) foi marcada pela rejeição dos parlamentares ao projeto encaminhado pelo Tribunal de Justiça (TJ), que prevê o reajuste salarial dos desembargadores. Pela proposta, cada desembargador passaria a receber R$ 17.242,00. O primeiro a se pronunciar contra o projeto foi o deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT). Segundo o petista, existe uma incoerência na medida. ?Eles querem o reajuste, enquanto nenhum outro segmento, como os servidores do Legislativo e do Tribunal de Contas, será beneficiado?, discordou Paulão. O petista também contestou o envio de outro projeto do Judiciário que define o quadro de servidores e os respectivos assessores dos desembargadores. Segundo a proposta, um assessor pode receber até R$ 4.000,00. Para Paulão, os números apresentados estão fora do que seria a realidade financeira do Estado. ?Precisamos ficar atentos para estas propostas?, diz. Se de um lado o deputado Paulão explorou a falta de reajuste para outras categorias, o deputado Cícero Ferro (PMDB) foi mais longe. Ao se pronunciar sobre a proposta de reajuste dos desembargadores, Ferro fez questão de adiantar seu voto contrário. Para ele, não existe lugar nem para negociação. ?Esta Casa e seus membros vivem sendo desrespeitados por alguns juízes magoados, e agora querem que analisemos aumento de salário para eles??, indagou o parlamentar. Ferro não escondeu suas ?diferenças? com representantes do Judiciário. Relembrou o que considerou ?perseguição? dos juízes José Braga Neto e Iva Bernadete. ?Quanto à juíza, todos sabem o que ela tem feito contra mim. Depois, ainda teve o juiz Braga Neto, que mandou, sem a polícia pedir, que minha casa fosse revistada?. A juíza Iva Bernadete atua em Minador do Negrão e é responsável pelo processo que apura o atentado a bala sofrido por Ferro em 31 de janeiro deste ano. O juiz José Braga Neto é quem acompanha o andamento do processo contra os pityboys que agrediram o estudante Klebson Silva, em Jaraguá, há cinco meses. Um dos acusados, Leandro Ferro, foi apontado como sobrinho do deputado. Na época, ele e outros dois acusados estavam foragidos e um dos locais vasculhados foi a residência do deputado, no condomínio Aldebaran, em Maceió. Desinformados O presidente do Tribunal de Justiça, Washington Luiz, disse, no final da tarde de ontem, que os deputados estão ?desinformados?. Segundo ele, o reajuste para os desembargadores está em vigor há cinco meses, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que definiu o teto salarial do Judiciário estadual em 90,25% do vencimento de um ministro do STF ? daí o valor superior a R$ 17 mil. O presidente do TJ disse que se os deputados avaliarem como necessário, ele ?está disposto? a ir à Assembléia explicar em detalhes a situação. Para Washington Luiz, a política salarial do TJ não cria novas despesas para o Estado, porque o reajuste já estava previsto.