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PAULO DIZ QUE OPERAÇÃO DA PF É AÇÃO ELEITOREIRA FINANCIADA POR LIRA E CUNHA

Governador teve seu afastamento do cargo determinado pela ministra Laurita Vaz, do STJ

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Imagem ilustrativa da imagem PAULO DIZ QUE OPERAÇÃO DA PF É AÇÃO ELEITOREIRA FINANCIADA POR LIRA E CUNHA
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Para mais de cinco mil pessoas, em comício no bairro do Vergel do Lago, em Maceió, o candidato à reeleição ao governo do Estado, Paulo Dantas, reafirmou que a ação da Polícia Federal atende a interesses político-eleitorais para derrubar sua reeleição. O chefe do Executivo foi alvo de uma ação da Polícia Federal ontem e teve o afastamento do cargo decretado pela ministra Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em seu discurso, Dantas afirmou que a democracia sofreu um verdadeiro ataque. Segundo ele, ação da PF em AL é financiada pelo deputado federal Arthur Lira e o candidato ao governo de Alagoas Rodrigo Cunha. “A PF em AL está aparelhada. A superintendete da PF todos os alagoanos sabem: ela foi indicada por Arthur Lira, o maior bandido que esse Brasil tem. O Arthur Lira, que tomou conta de todo o orçamento do Brasil, tirando todas as condições para que os mais humildes entrem nas faculdades, para que os mais humildes tenham mais oportunidades.” Dantas ainda afirmou ao povo alagoano que “é ficha limpa” e não deve nada à Justiça. “Eu chego hoje aqui com a mesma alegria, com o mesmo entusiasmo, olhando no olho de cada um, abraçando, beijando e garantindo para o alagoano que nada vai parar em AL, porque desde o dia que eu assumi, o governo nada parou.” No momento, o governador também lembrou de anos anteriores, quando, de acordo com ele, Alagoas só “andou para trás”. “Alagoas não tinha dinheiro para nada, não valorizava o servidor, não construía hospitais, não tinha Escola 10. [...] Alagoas não tinha capacidade de investimento. Alagoas era uma terra arrasada”, disse.

OPERAÇÃO

Ontem, a ministra Laurita Vaz determinou ontem o afastamento do governador de Alagoas e candidato à reeleição, Paulo Dantas (MDB), por 180 dias, com a deflagração da Operação Edema, pela Polícia Federal, que investiga suposto esquema de rachadinha na Assembleia Legislativa. Foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão em imóveis vinculados aos investigados. Ordens foram cumpridas no Palácio República dos Palmares e na Assembleia Legislativa. Conforme a decisão judicial, a partir de então, os investigados estão impedidos de manter contato entre si e de frequentar os órgãos públicos envolvidos na investigação. As medidas cautelares incluem ordem de sequestro de bens e valores que chegam a R$ 54 milhões. Dezenas de imóveis foram objetos de constrição. Foram apreendidos R$ 100 mil em dinheiro que estavam na residência de Dantas e outros R$ 14 mil que estavam com o governador em um hotel de São Paulo. O governador afirmou que o dinheiro é proveniente de suas atividades privadas e está declarado.

AFASTAMENTO

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Como o Executivo ainda não foi notificado oficialmente até o início da noite de ontem sobre o afastamento do governador, Dantas segue na função. Quando isso ocorrer, a Assembleia Legislativa é quem dará posse ao vice-governador José Wanderley Neto (MDB). Até o fechamento desta edição, a Procuradoria Geral do Estado ainda não havia sido notificada pelo STJ. Por isso, mesmo com o impacto da presença de agentes no Palácio República dos Palmares, em busca de documentos e, também, na Assembleia Legislativa, o governador despachou normalmente após retornar de São Paulo, onde foi notificado por agentes federais num hotel nas primeiras horas da manhã.

SURPRESA

A ação dos federais pegou de surpresa o governador, seus secretários, assessores e correlegionários que o acompanham desde que se candidatou à reeleição. Todos achavam que o golpe mais duro contra Dantes já havia sido dado pelos adversários quando divulgaram dois vídeos com a presença do pai, o ex-deputado Luiz Dantas, com menção a supostas irregularidades no período em que atuou como deputado estadual.

O único que não demonstrou não estar surpreso foi o senador Renan Calheiros (MDB). Aliado do grupo de Dantas, ele disse, por meio de uma rede social, que desde o início do mês havia solicitado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério Público Estadual sobre a possibilidade de “uso político da PF” contra o seu candidato. Renan lembrou, ainda, que a investigação na qual Dantas é citado seria de âmbito estadual. Entretanto, por interferência política de seu adversário no pleito, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), teria sido transferida para o STJ. Por causa dos efeitos danosos e por considerar a operação com caráter totalmente político, Calheiros disse que vai acionar a ministra Laurita Vaz no Conselho Nacional de Justiça, em denúncia conjunta com o senador Randolfe Rodrigues. Lira se defendeu. Por meio de sua rede social, afirmou não ter nenhuma ligação com a superintendência da Polícia Federal. E que devem existir indícios muito fortes contra Dantas.

ALVO

O suposto esquema investigado pela PF teria se iniciado em 2017, quando a Casa passou a operar com a nomeação de fantasmas para cargos do poder. Como os servidores não existiam, ocorria a prática de rachadinha. Segundo as investigações, seria Dantas o responsável pela articulação do grupo que se beneficiava dos recursos. Na operação de ontem, além de Dantas, sua esposa Marina Dantas e dois cunhados também foram alvo dos mandados expedidos pelo STJ. Numa das casas do governador, num condomínio de luxo, teriam sido apreendidos R$ 100 mil em dinheiro.

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