Política
Crise no PMDB pode atingir aliados de Renan em Alagoas
MARCOS RODRIGUES A decisão tomada pelo PMDB, no final de semana, de sair do governo Lula, pode afetar os ocupantes de cargos federais em Alagoas, indicados pelo senador Renan Calheiros ? um governista desde a primeira hora. Ontem, assessores do senador tentavam amenizar o impacto da convenção da legenda, que optou por deixar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pretende obrigar o partido a devolver os cargos federais que ocupa. Em Alagoas, por conta da participação do PMDB no governo até agora, Renan emplacou nomes do partido para a Companhia de Trens Urbanos (CBTU), Companhia Energética de Alagoas (Ceal), Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). A GAZETA tentou ouvir os indicados, mas ninguém quis se pronunciar sobre o assunto. Durante todo o dia, Renan foi procurado para falar sobre o assunto. Em Alagoas e em Brasília, a explicação era a de que o senador só falará depois que a ?poeira baixar?. Segundo um dos assessores de imprensa do senador, jornalista Bernardino Souto Maior, não existem razões para especulações quanto à devolução dos cargos. ?O senador avalia que não existe clima para pânico, mas sobre esse assunto ele só fala depois que a Justiça se pronunciar sobre a convenção do partido?, adiantou Bernardino. Numa tentativa de diminuir o impacto da decisão de deixar a base aliada de Lula, a assessoria de Renan diz ainda que a crise ?só atinge 30% do partido? e serviu para aproximou o senador alagoano do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Os dois tiveram a relação estremecida desde o ano passado, quando Sarney tentou aprovar a emenda que permitiria a reeleição para as presidências da Câmara e do Senado. Renan venceu a briga e a emenda não foi adiante, abrindo caminho para ele próprio disputar a presidência da Casa, em janeiro. Renan e Sarney, no entanto, estão do mesmo lado quando o assunto é apoio ao governo Lula. Ausência Renan e Sarney não participaram da convenção do partido, no último domingo. Ao contrário disso, apoiaram a liminar concedida aos governistas que impedia a realização da convenção. Como a liminar foi cassada, ainda no domingo, os peemedebistas aguardam o julgamento de outro recurso impetrado na Justiça na tarde de ontem. Até lá, todos os indicados por Renan para cargos federais em Alagoas estão mantidos nas funções. Espera A repercussão das divergências internas do PMDB foi considerada um fato político normal por lideranças alagoanas de outros partidos aliados do governo Lula Para a prefeita Kátia Born (PSB), o momento é de espera. Ela lembrou que a maioria do PMDB ainda está com o governo. ?O líder do partido na Câmara dos Deputados já confirmou que vota com o governo, assim como a maioria dos deputados?, lembrou a prefeita.