Política
Lula critica teto de gastos e diz que estabilidade fiscal traz sofrime
Em discurso, presidente eleito chora ao falar da fome, diz que democracia voltou e que Alckmin não será ministro
Ao falar nesta quinta para uma plateia de aliados no QG da transição, Lula sinalizou que irá trabalhar por mudanças na legislação trabalhista, bateu na reforma previdenciária, criticou mecanismos de controle fiscal do governo e defendeu a ampliação de gastos na máquina pública.
“Os empresários que ficaram chateados porque nós falamos que iremos rediscutir a legislação trabalhista, a verdade é que nós vamos ter que discutir a relação capital e trabalho no século 21. Alguns direitos que foram tirados dos trabalhadores… A reforma da aposentadoria fez com que um trabalhador que recebia 2.000 reais de aposentadoria, vai receber 1.300 reais agora”, disse Lula.
O petista bateu forte no controle de gastos, indicando que atuará para ampliar despesas. “Por que as pessoas são levadas a sofrerem por conta de garantir a tal da estabilidade fiscal do país? Por que falam toda hora que é preciso cortar gasto, é preciso fazer superávit, é preciso fazer teto de gasto. Por que as mesmas pessoas que discutem com seriedade o teto de gastos, não discutem a questão social desse país”, disse Lula.
Lula disse que o povo pobre deve estar “na planilha da discussão da macroeconomia” e defendeu “um novo paradigma de funcionamento desse país”. O petista diz que as políticas de controle fiscal precisam estar alinhadas ao plano de investimentos do governo para a área social. “Se quando eu terminar este mandato, cada brasileiro estiver tomando café, estiver almoçando e estiver jantando, outra vez eu terei cumprido a missão da vida”, disse Lula. Nesse instante, o presidente eleito começou a chorar. Lula, então, foi aplaudido pelos presentes ao encontro. Na sequência, Lula retomou a palavra e disse que “jamais esperava” que a fome “voltasse” ao Brasil.
alckmin
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Lula) afirmou ontem, em Brasília, que colocou Geraldo Alckmin (PSB) como coordenador da equipe de transição justamente porque o vice-presidente “não disputa vaga de ministro”. A fala ocorreu na primeira visita de Lula ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede da equipe de transição. Em meio a especulações envolvendo os nomes que comandarão os ministérios no futuro governo, Lula descartou, portanto, ter o próprio Alckmin como ministro – mesmo sendo o suplente número 1 da Presidência, não há qualquer restrição que impeça ao vice assumir uma pasta. Ao mesmo tempo, o petista disse que aqueles que estão compondo a equipe de transição não necessariamente serão ministros no próximo governo. “Eu fiz questão de primeiro de colocar o Alckmin como coordenador para que ninguém pensasse que o coordenador vai ser ministro. Ele não disputa vaga de ministro porque ele é vice-presidente da República. Qualquer outro que eu colocar ‘ah, esse cara é coordenador e vai ser ministro’”, disse Lula. “Não, eu tenho pedido a todo mundo que, quando convidar alguém para participar da comissão de transição, dizer o seguinte: não será ministro quem está na transição. Pode ser e pode não ser, mas ninguém que fique trabalhando pensando ‘ah, eu vou ser ministro porque fui escolhido para comissão de transição’, completou.