Política
Manifestações em frente a quartel completam duas semanas
Grupo ocupa canteiro da Fernandes Lima, no Farol, desde o resultado do 2º turno das eleições; não há previsão de término
Manifestantes pró-Bolsonaro continuam concentrados no canteiro central, em frente ao quartel do Exército, na Avenida Fernandes Lima, em Maceió. O movimento pedindo liberdade e transparência, e contestando, de forma pacífica, o resultado da eleição para presidente da República já ocorre há duas semanas. Os atos são mantidos em todo o Brasil e os participantes garantem que têm disposição para permanecer nos locais por tempo indeterminado.
Os protestos começaram no dia 31 de outubro, um dia depois do resultado das urnas, que deu a vitória ao candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva. Inicialmente, o grupo de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) fechou vias da principal avenida da capital alagoana, mas, após determinação da Polícia Militar de Alagoas (PMAL), eles concordaram em ocupar apenas o canteiro, sem interferir no trânsito. Vestindo verde e amarelo, as pessoas se revezam no local, que sempre está ocupado. “De dia, de noite, estamos sempre aqui para pedir justiça. É uma manifestação boa e válida”, afirma Lucas Veloso. O servidor público federal aposentado Marcos Maranhão participa desde o primeiro dia dos protestos na avenida Fernandes Lima. Ele conta que o grupo está disposto a ocupar o canteiro até que o Exército “tome conta” do Brasil. Ele também afirma que não acredita no resultado das eleições. “Não é verdade o que a eleição mostrou. Eu tenho certeza que nós ganhamos no primeiro turno. Então, a gente está aqui para lutar pelo Brasil, pela nossa família, pelos nossos filhos, para que tenha um Brasil melhor. E para mim mesmo, também, que eu já estou numa idade bem avançada e eu quero ter uma paz, sossego, viver bem o resto de minha vida”, diz. As manifestações ocorrem de maneiras diversas. Agora, após o protesto se estender, o grupo não pede mais para que motoristas buzinem quando passarem pelo local. A medida é uma forma de evitar que o ato incomode os moradores da região e os hospitais que ficam próximos ao local. Os participantes executam hinos: do Brasil, da Independência e, claro, do Exército. Alguns batem continência e outros repetem palavras de ordem, empunhando cartazes que pedem que as Forças Armadas tomem atitudes que atendam o que eles pleiteiam.
POR TODO O BRASIL
Não é só em Alagoas que os bolsonaristas têm engrossado o caldo das manifestações em frente aos quartéis do Exército. Principalmente nos grandes centros, a mobilização está mantida, como é o caso de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Mãe é presa após filha de 10 anos ser encontrada sozinha em Arapiraca
Dupla invade residência em Arapiraca; morador reage e consegue imobilizar um dos suspeitos
Pet desaparecido: envie uma foto do animal para a TV Gazeta
Operação Face Dupla: suspeitos de violência sexual contra crianças e adolescentes são presos
Acidente na Fernandes Lima deixa trânsito lento
Em Porto Alegre, manifestantes ocupam há duas semanas os fundos do Comando Militar do Sul, com carros de som repetindo hinos e as pautas do movimento. De acordo com a imprensa local, há até um acampamento na região.
Em Brasília, os inconformados com a vitória de Lula também montaram um acampamento em frente ao QG do Exército. Assim como em Maceió, o local conta com comércios, banheiros químicos e distribuição de água para os participantes. Os atos ganharam mais força do dia de 7 de novembro para cá, após manifestações dos militares e do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. O magistrado do STF defendeu ser preciso respeitar as manifestações dos apoiadores de Bolsonaro, desde que sejam “pacíficas”. “O papel de todos nós é de serenidade, de respeitar essas manifestações pacíficas. E, ao mesmo tempo, buscar gerar uma pacificação no ambiente nacional que nos ajude a desenvolver e olhar pro futuro numa boa perspectiva. Logicamente que são ideais que às vezes se contrapõem num cenário eleitoral”, disse.
Na mesma direção, uma nota divulgada pelos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica acabaram legitimando as manifestações contra o resultado da disputa presidencial. Em nota divulgada no dia 11 de novembro, os comandos “reafirmam seu compromisso irrestrito e inabalável com o Povo Brasileiro, com a democracia e com a harmonia política e social do Brasil”.
Os comandantes citam as manifestações em favor do presidente Jair Bolsonaro (PL) e reafirmam o direito de livre manifestação e chamam a atenção para eventuais excessos cometidos que possam restringir direitos individuais e coletivos.