Política
Lula propõe aliança global contra fome e cobra países ricos
Presidente eleito discursou ontem na Conferência do Clima e disse que defesa do meio ambiente será prioridade em seu governo
O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou ontem à comunidade internacional durante a COP27, que acontece em Sharm El-Sheikh, no Egito. Ele garantiu que, em seu governo, a agenda climática será prioridade, e o agronegócio será um “aliado estratégico”.
Lula defendeu a geração de riqueza sem alteração do clima e a exploração responsável da biodiversidade da Amazônia.
“Vamos provar que é possível promover crescimento econômico e inclusão social tendo a natureza como aliada estratégica e não mais como inimiga a ser abatida a golpes de tratores ou motosserras”, disse.
O presidente eleito afirmou que a “produção agrícola sem equilíbrio ambiental deve ser considerada uma ação do passado”.
A meta que vamos perseguir é a da produção com equilíbrio, sequestrando carbono, protegendo a nossa imensa biodiversidade, buscando a regeneração do solo em todos os nossos biomas, e o aumento de renda para os agricultores e pecuaristas
Lula afirmou que “não há segurança climática para o mundo sem uma Amazônia protegida” e prometeu retomar e reforçar ações de combate aos crimes ambientais.
“Os crimes ambientais, que cresceram de forma assustadora durante o governo que está chegando ao fim, serão agora combatidos sem trégua. Vamos recriar e fortalecer todas as organizações de fiscalização e o sistema de monitoramento que foram desmontados nos últimos quatro anos. Vamos punir com todo o rigor o responsável por qualquer atividade ilegal, seja garimpo, seja mineração, extração de madeira ou ocupação agropecuária indevida”, disse.
Lula disse que o Brasil está de “volta para reatar laços com o mundo e ajudar novamente à combater a fome no mundo”.
O presidente eleito afirmou em seu discurso que o país irá cooperar com os países mais pobres, sobretudo da África, e com os países da América do Sul, para “lutar por um comércio justo entre as nações e pela paz entre os povos”.
Ele defendeu ainda uma ordem mundial “pacífica” e acertada com base no “diálogo, multilateralismo e multipolaridade”.
desigualdade
Segundo Lula, “a luta contra o aquecimento global é indissociável da luta contra a pobreza” e que é preciso reunir esforços para que os países mais pobres, os mais afetados pelas mudanças climáticas, possam enfrentar as consequências da crise ambiental. “Estou hoje aqui para dizer que o Brasil está pronto para se juntar novamente aos esforços para a construção de um planeta mais saudável”, de um mundo mais justo, capaz de acolher com dignidade à totalidade de seus habitantes, e não apenas à uma minoria privilegiada”, disse. Lula defendeu que os acordos climáticos já estabelecidos “saiam do papel”. Lula ofereceu o Brasil como sede da COP30, que acontecerá em 2025 e disse que o encontro deveria ser realizado num estado amazônico. Ele ainda propôs a realização da Cúpula dos Países Membros do Tratado de Cooperação Amazônica.