Política
Renan Filho responde a��o por compra de voto
LUIZA BARREIROS O promotor Napoleão Amaral Franco, da 9ª Zona Eleitoral, instaurou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) para apurar a denúncia de compra de voto, na eleição de 3 de outubro, pelo prefeito eleito do município de Murici, Renan Calheiros Filho (PMDB). Caso a Justiça entenda que houve compra de voto e casse o diploma do prefeito eleito, o município poderá ter nova eleição em 2005, sem a participação de Renan Filho. A ação foi ajuizada na última terça-feira, depois que o Ministério Público encontrou, numa investigação prévia, indícios de crime eleitoral numa fita de vídeo em que Renan Filho ? que é filho do líder do PMDB no Senado e sobrinho do atual prefeito Remi Calheiros (PMDB) ? aparece na rua, rodeado de eleitores, distribuindo dinheiro, supostamente em troca de votos. A pedido do Ministério Público, a fita de vídeo foi periciada pela Polícia Federal, que constatou sua autenticidade, mas não conseguiu recuperar o áudio das imagens, que poderia revelar o conteúdo do que foi conversado entre o então candidato e os eleitores. As pessoas que aparecem nas imagens ao lado do prefeito eleito também foram identificadas e arroladas como testemunhas na ação. Segundo o promotor Napoleão Franco, apesar de a fita mostrar claramente Renan Filho entregando dinheiro a um eleitor, ainda é preciso comprovar que houve um pedido explícito de voto naquele momento. ?A fita é clara e as provas que temos são suficientes para dar entrada na ação. Mas ainda dependemos das provas testemunhais para comprovar a compra de voto?, observou. Hoje, às 10 horas, a juíza da 9ª Zona Eleitoral, Aída Cristina Brito, diplomará Renan Filho, a vice-prefeita Rita de Cássia Lins Tenório (PMDB) e os vereadores eleitos em 3 de outubro em Murici. Renan Filho deverá ser notificado da ação durante a solenidade e terá cinco dias para apresentar sua defesa. Molina A denúncia-crime contra Renan Filho foi feita à Justiça Eleitoral pela coligação do candidato derrotado, Fausto Cardoso (PTB), irmão do bicheiro Plínio Batista. Cardoso contratou o advogado carioca Luiz Paulo Viveiros Costa, especialista em direito eleitoral, para atuar no caso. Ontem, ele deu entrada em outra ação semelhante à ajuizada pelo Ministério Público pedindo a cassação do diploma de Renan Filho e a realização de nova eleição. A ação ajuizada traz um laudo do perito paulista Ricardo Molina, que analisou as imagens e concluiu que Renan Filho entregou uma cédula de R$ 10 para a testemunha Hermane Lins da Silva, que depois repassa para outra pessoa. Em outro momento, Renan Filho pega outra cédula de R$ 10 e entrega a Hermane, que a exibe para populares. Em seu depoimento, Hermane disse ao Ministério Público que o então candidato ofereceu R$ 50,00 para que ele votasse nele e tirasse a camisa do candidato adversário. Outro lado A reportagem tentou ontem contato com Renan Filho, mas ele não foi localizado. Em 20 de outubro, quando foi feita a denúncia contra ele, Renan Filho foi ouvido pela GAZETA e negou a acusação, dizendo que as imagens captadas eram de caminhadas que fez durante a campanha e que, com uma diferença de mais de 2 mil votos em relação ao segundo colocado, ?não precisaria comprar votos para vencer a eleição?.