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20 de novembro é celebrado com muita cultura afro na Serra da Barriga

Comunidade negra vai celebrar a memória dos antepassados palmarinos

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Imagem ilustrativa da imagem 20 de novembro é celebrado com muita cultura afro na Serra da Barriga
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Com Alagoas sendo terra de Zumbi dos Palmares, Dandara, Aqualtune, Acotirene e Ganga Zumba, tradicionalmente a comunidade negra alagoana sobe a Serra da Barriga, localizada no município de União dos Palmares, para celebrar a memória dos ancestrais palmarinos e a resistência da tradição afro-alagoana. Começando a programação durante o surgimento dos primeiros raios de sol, os religiosos de matriz africana realizam cerimônias que reverenciam os negros e negras que passaram e lutaram por aquele solo sagrado e os Orixás femininos que protegem o lágoa que pertence ao local. Já fazendo parte da tradição de celebração do 20 de novembro, após as cerimônias religiosas é chegado o momento de descontração e muita cultura afro-brasileira. Uma grande kizomba (festa) é feita e aproveitada pelo público presente no local. Do samba ao maracatu, diversos ritmos e cânticos ancestrais ecoam pelo solo sagrado e revivem a memória daqueles que lutaram pelo extinto Quilombo dos Palmares. Neste ano, a kizomba ficará por conta de Igbonan Rocha e Samba de Nêgo, Rochelle - Contadora de Histórias, Grupo Olóómi Ááyyé do Quilombo do Muquém, Samba de Roda K’Posú Betá - As bainas do K’Posú, Orquestra de Berimbau, Sr. Antônio Embolador, Linete Matias - Contadora de Histórias, Maracatu Baque Alagoano, Orquestra de Tambores, Mel Nascimento e o grupo Coisa de Pele.

Para o sambista Igbonan Rocha, cantar no solo sagrado da Serra da Barriga é reverenciar toda sua ancestralidade e potência negra. Ansioso para levar mais um ano de muito samba para o local, o artista afirma que o repertório irá contemplar toda a ancestralidade, alegria e, principalmente, resistência.

“Sou um sambista negro, cantar ali é reverenciar todas, todos e todes que vieram antes e que me fazem acreditar numa sociedade equanime, onde todos, independente de raça, credo e/ou classe social, tenham os mesmos direitos e deveres. Já vi um senhor de 80 anos chorar emocionado porque irá pisar naquele solo sagrado pela primeira vez e é assim que também me sinto toda vez que chego naquele espaço, o sentimento é incomensurável!” Preenchidas pelo sentimento de pertencimento e ansiosas para levar o tradicional samba de terreiro para a terra do Quilombo dos Palmares, as baianas do Samba K’Posú Betá prometem levar muita alegria para o local, de acordo com a vice-presidente da Associação Posú Betá, Sônia Costa. “Dançar na Serra da Barriga é voltar para a origem da nossa história, origem de luta e resistência. A nossa dança vem dessa linhagem e segue resistindo nos aços do samba que praticamos ainda hoje. Estar ali representa a união dos distintos ritmos em nome de um único intuito, o enaltecimento do povo negro. Os ritmos representam a diversidade existente na cultura africana e a pluralidade da vida em diáspora” Já Kiko Cavalcanti, coordenador artístico cultural do Maracatu Baque Alagoano afirma que a ocupação da Serra da Barriga é uma questão de preservação da memória, de pertencimento, de um povo que mesmo diante de tantas tentativas de silenciamento nunca se calou e sempre foi resistência. “A programação ser composta por samba, afoxés, maracatu, reafirma que não é apenas pela diversão de se fazer cultura popular, mas de assumir um compromisso de luta, de resistência e valorização das raízes negras e não permitir que a memória de quem foram nossos verdadeiros heróis se perca. O maracatu nasceu no terreiro, o toque dos tambores é negro, então, participar dessa história na Serra da Barriga é um capítulo único na trajetória do Baque Alagoano”. A Serra da Barriga vem sendo abraçada pelas festividades desde da última quinta-feira (17), quando o evento Vamos Subir a Serra continuou suas atividades, fazendo jus ao nome e colocando o público para sair da Praça Multieventos e embarcar na subida da serra.

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