Política
Lessa negocia chapa com Renan para governo
ODILON RIOS Pela primeira vez, o governador Ronaldo Lessa (PSB) admitiu que está negociando com o senador Renan Calheiros (PMDB) uma composição para as eleições de governador e senador em 2006. Lessa disse que está conversando sobre a chapa majoritária que teria Renan candidato a governador e o próprio Lessa candidato ao Senado. Nas negociações, o governador admite até que o vice de Renan pode não ser indicado por seu partido, o PSB. ?Renan não quis espaço no governo agora. Vamos discutir um projeto com ele governador e eu senador. Sobre o PSB ser vice ou não, isso é uma outra questão?, afirmou Lessa, tratando a questão como fato consumado. O ?espaço no governo? a que Lessa se referiu são as mudanças no secretariado, que o governador diz que fará nos próximos dias. Até agora, a mudança oficial assinalada pelo governador é em setores ínfimos na estratégia política estadual, como a Ouvidor Geral do Estado, Elias Barros, que deixa o cargo, assumindo a Superintendência dos Movimentos Sociais, antes ocupada por Amália Amorim. No lugar de Barros, assume o coronel Jurandi Ferreira, ex-Loteal. Amália ainda não foi remanejada para outro setor do governo. As declarações de Lessa foram feitas após a formatura da turma de ensino médio da Escola Tiradentes, mantida pelo Estado, e que tem 60% de alunos filhos de policiais militares. Bomba As afirmações de Lessa devem gerar conseqüências no projeto do PSB para 2006. Em tese, todos os pré-candidatos apresentados até agora ? a prefeita Kátia Born, o presidente da Assembléia Legislativa, Celso Luiz, o secretário de Educação Maurício Quintella e o vice-governador do Estado, Luis Abílio ? estariam fora da disputa majoritária, se o PSB não negociar um vice para Renan. O próprio vice-governador adiantou, há três semanas, que o partido estudava a possibilidade de não ter ?cabeça-de-chapa? em 2006 e apontou partidos para composições, como vice, entre PMDB, PSDB ou PTB, do deputado federal João Lyra, também candidato ao governo. Abílio teve o nome lançado como candidato único do PSB, através do secretário geral do partido, Wellisson Miranda, mas o presidente da ALE não gostou da idéia e cobrou discussão interna dos nomes ao governo estadual. ?Não abro mão do governo?, disse Celso Luiz. Kátia Born se lançou candidata ao governo estadual, depois à Câmara Federal (logo após a derrota de Alberto Sextafeira), mas acabou voltando a ser citada como candidata ao governo, com espaço garantido em secretarias, a partir de janeiro. Na ex-aliança entre PSB, PMDB e PSDB no Estado, que ajudou a eleger Lessa, Renan e o senador Teotonio Vilela Filho, o maior beneficiário, até agora, seria o senador tucano, que lançou candidatura própria ao governo estadual, mas poderia mudar a estratégia, se Calheiros lançar seu nome em 2006. Assim, a aliança voltaria a existir, com o compromisso de eleger Renan ao governo e Lessa ao Senado, se as conversas forem conduzidas pela estratégia dos dois líderes. Com a disposição revelada por Lessa, o quadro se inverte e, depois de dois mandatos à frente do governo do Estado, o PSB vê-se obrigado a ceder espaço. Tudo para garantir o projeto político de sua maior estrela ? o próprio Lessa.