Política
Aplicação dos recursos precisa ser bem fiscalizada, adverte economista
Outro que defende a transferência de renda direta como um dos mecanismos públicos para ajudar a socorrer as vítimas da recessão causada pela pandemia e reduzir os índices de desempregados, desalentados e de trabalhadores sem contrato formal, é o economista Jarpas Aramis. Ele elogiou também os programas como o de transferência de renda como o “Escola 10” para 175 mil e professores do ensino médio da rede estadual. Destacou que o programa é positivo e será copiado pela equipe de transição do governo Lula. Contudo, considerou que a aplicação desse dinheiro público tem que ser bem fiscalizada pelos governos federal, estadual e municipais.
As transferências de renda têm que cumprir metas sociais, porque não é esmola, avalia Jarpas Aramis. “Para receber o Bolsa Família, o beneficiado precisa estar com os filhos matriculados na escola, estar com o cartão de vacina em dia e acompanhar o desenvolvimento das crianças. As escolas e os postos de saúde também têm papel de cumprir com as metas. Os resultados são múltiplos. Isso é bom e contribui para a retomada da economia”.
Como constataram os pesquisadores de mercado, Jarpas disse também que quase 50% dos municípios mais pobres dependem das transferências direta de renda via programas sociais e políticas públicas. “Neste pós-novo normal, a gente também observa que as famílias em situação de vulnerabilidade social estão tendo acesso a bens e serviços com recursos dessas transferências. Alagoas, por exemplo, foi positivamente impactado porque mais de 1,8 milhão de pessoas inscritas no Bolsa Família, das quais mais de 540 mil têm acesso aos R$600/mês e daí conseguem suportar, minimamente, os efeitos da recessão, do crescimento do desemprego e da fome”.
Ele também se mostra otimista com relação ao futuro social do País e dos municípios mais pobres do Norte e Nordeste. “Primeiro, acabou aquele tensionamento político e os eleitos se comprometeram a trabalhar para reduzir a desigualdade social e dar novos direcionamentos administrativos. As duas propostas trazem tranquilidade para a população, ao mercado, aos investidores e aos setores produtivos. Tanto que a gente já consegue perceber o crescimento da oferta de empregos nas áreas urbanas e rurais, o consumo reagindo e os investimentos acontecendo”.
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Os novos números oficiais do Cadastro Geral de Empregados divulgados na terça-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Previdência confirmam o otimismo contido dos economistas. Alagoas, por exemplo, registrou o maior crescimento percentual do País na geração de empregos no mês de outubro. O Estado abriu 4.335 postos formais de trabalho, um aumento de 1,11% em relação a setembro. Os números de outubro são a diferença entre as 15.368 mil admissões e as 11.033 demissões no período. O aumento nas contratações no mês passado foi puxado pelo setor de serviços, que abriu 1.581 postos formais de trabalho. Em seguida aparecem a indústria, com abertura de 1.144 vagas, comércio (771), construção (583) e agropecuária (256). Atualmente, segundo os dados do governo federal, o estoque de emprego em Alagoas é de 395.944 vagas. O setor de serviços lidera o ranking nessa categoria, com 180.639 empregos, seguido do comércio (94.387), indústria (82.700), construção (26.233) e agropecuária (11.985). Em todo o País, foram criados 159.454 postos de trabalho em outubro, resultado de 1.789.462 admissões e de 1.630.008 desligamentos de empregos com carteira assinada. No acumulado deste ano, o saldo é de 2,32 milhões de novos trabalhadores no mercado formal. Além de Alagoas, os estados com maior variação na criação de empregos em relação ao estoque do mês anterior foram Roraima, que criou 525 vagas (0,75%); e Amazonas, com saldo positivo de 3.463 postos (0,72%). De acordo com o ministério do Trabalho, os meses de outubro geralmente não são de grande destaque em contratações, são os que têm sazonalidades, meses de transição para o final do ano, de redução na indústria e aquecimento no comércio.