Política
Mano faz ataques pessoais a Lessa
Um dia depois de ser alvo de críticas do governador Ronaldo Lessa sobre a fragilidade do presídio Baldomero Cavalcanti, o ex-governador Manoel Gomes de Barros (PTB) revidou em tom de ofensa pessoal. Na terça-feira, Lessa atribuiu as falhas no presídio ao período governado por Mano (1997-1998). ?Quero dizer que podem fazer investigação nos presídios, porque as obras foram contratadas no governo passado?, lembrou Lessa, referindo-se ao ex-governador Manoel Gomes de Barros. Ontem, o ex-governador também atacou Lessa. Mano fez críticas ao governo, apontando que existe um descontrole administrativo, mas ?principalmente de conduta?. Mano surpreendeu os meios políticos ao trazer a público suas opiniões pessoais sobre a vida privada do governador, chegando a usar expressões chulas. Segundo Mano, o ?destempero? do governador é oriundo de problemas ligados à sua sexualidade ?associados à derrota eleitoral que sofreu?. Para o petebista, os ?ataques temperamentais? de Lessa aumentaram depois da vitória de Cícero Almeida sobre o governista Alberto Sextafeira (PSB). As declarações de Mano foram feitas em duas entrevistas, ao vivo, nas rádios GAZETA e Jornal. Nas duas emissoras, por telefone, ele atacou o governador, sob a alegação de que ?sempre que for desrespeitado, reagirei imediatamente?. Defesa Pela manhã, ao tomar conhecimento da entrevista de Mano, o governador em exercício Luis Abílio resumiu: ?Alagoas precisa de paz e tranqüilidade. Quando se ataca pessoalmente, isso é ruim?. Ele conversou com a imprensa durante a assinatura de convênio para a criação do restaurante popular. Abílio reclamou ainda do ?baixíssimo nível? dos deputados Gilberto Gonçalves e Temóteo Correia e disse que a ?sociedade está cansada disso?. Abílio disse também que o grupo do deputado federal João Lyra quer antecipar o debate sobre a sucessão do governador Ronaldo Lessa. ?Eles querem que 2006 comece. Temos dois anos de governo?, lembrou. Durante a entrevista, o vice-governador não admitiu que a polêmica envolvendo os deputados Temóteo e Gilberto provoque um atrito entre Legislativo e Executivo. ?Foi uma questão pontual, centrada nos dois parlamentares citados. Não tem nada com o Legislativo?, amenizou. O governador Ronaldo Lessa também foi procurado para ser ouvido. Sua assessoria, entretanto, informou que a posição do vice-governador teve caráter oficial. A prefeita Kátia Born (PSB) também saiu em defesa do governador. Ela também tentou diminuir o impacto da crise iniciada pelo governador no dia anterior. ?Normalmente, alguns deputados do PTB ficam batendo no governador Ronaldo Lessa?, afirmou. Kátia Born vinculou a confusão a supostos interesses em torno da sucessão estadual em 2006. Ela lembrou que o grupo que comandará a Prefeitura de Maceió a partir de janeiro pode ter como candidato a governador os deputados federais José Thomaz Nonô (PFL) ou o João Lyra (PTB). De volta O bate-boca público entre o governador Ronaldo Lessa, parlamentares e o ex-governador Mano trouxe de volta a hostilidade da campanha eleitoral para prefeito entre Cícero Almeida e Sextafeira. A GAZETA, à época, acompanhou comícios dos dois candidatos e em ambos o que predominou foram os ataques pessoais. A invasão de privacidade não deixou de existir nem no dia da eleição, quando Almeida foi declarado prefeito eleito. Durante o ?comício da vitória?, na praia de Pajuçara, o vereador Arnaldo Fontan (PFL), de cima de um trio elétrico, gritou: ?Fora as lésbicas e os pederastas!?. (MR-OR)