Política
Lessa rebate cr�ticas e diz que governo n�o se envolve em crime
ODILON RIOS Sem citar nomes, o governador Ronaldo Lessa (PSB) contra-atacou ontem o ex-governador Manoel Gomes de Barros, o Mano (PTB), dizendo que ele ?colocou a carapuça? sobre a responsabilidade em relação à fragilidade do presídio Baldomero Cavalcanti. ?Se alguém colocou carapuça, é porque quis, porque deve?, disse Lessa. Na terça-feira, o governador responsabilizou Mano pela contratação da empreiteira Santa Bárbara, que construiu o Baldomero. Um dia depois, o ex-governador rebateu nas rádios Jornal e GAZETA, com palavrões, revelando ainda supostos detalhes da vida privada do governador. ?Não me arrependo, nem um pingo, das declarações que dei?, resumiu o governador, durante solenidade de posse de novos secretários no Palácio Floriano Peixoto. (Ver matéria nesta página) A polêmica começou com a iniciativa dos deputados estaduais Gilberto Gonçalves (PP) e Temóteo Correia (PTB) de investigar, na Assembléia Legislativa, as irregularidades no presídio. A Comissão de Fiscalização e Controle (CFC) da ALE começaria a investigar a contratação da empresa Santa Bárbara, que construiu, além do Baldomero, também o presídio Cyridião Durval e o presídio de segurança média de Arapiraca. Lessa se irritou com os membros da CFC ? Gonçalves e Temóteo ? afirmando que eles fariam parte de uma ?quadrilha?, que extorquia empresas. Segundo Lessa, os dois são ?chefiados? por João Lyra (PTB). Tamanha foi a repercussão das declarações que o governador sumiu do cenário político na quarta-feira, um dia após as denúncias. Passou o governo do Estado ao vice-governador Luis Abílio (PSB), sob o pretexto de que teria viajado a Brasília. Membros do governo, porém, confirmaram que Lessa permanecia em Alagoas. Assassinato Também sem citar nomes, Lessa fez insinuações a respeito do grupo político comandado pelo deputado João Lyra. ?Esse governo não está envolvido com assassinato, nem com crime, nem com roubo. Ninguém vai nos nivelar?, disparou. As acusações não são novas. Apareceram no Guia Eleitoral do então candidato a prefeito Alberto Sextafeira (PSB). A propaganda tentou associar a imagem de Lyra a assassinatos ocorridos em Alagoas, como o do tributarista Sílvio Vianna, em outubro de 1996. O governador, em entrevista a rádios locais, ontem pela manhã, ameaçou mostrar mais nomes de deputados estaduais supostamente envolvidos em corrupção. ?Eu dei os nomes e posso acrescentar um ou dois nomes, se for necessário?, provocou, explicando que não atingiu o Poder Legislativo, mas ?alguns deputados estaduais?. Em entrevista ontem à Rádio GAZETA, o deputado Gilberto Gonçalves cobrou ?respeito? do governador. Ele disse que há um movimento de solidariedade, na Assembléia, aos deputados que se sentiram ofendidos com as acusações do governador. ?Deixe a gente fiscalizar, deixe a gente fazer a CPI da Educação?, disse. A tentativa de instalar uma CPI da Educação foi enterrada há dois anos, depois de o próprio governador denunciar um suposto rombo de R$ 12 milhões na pasta. Na época, o pedido da CPI partiu do deputado estadual Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT).