Política
Cavalcante pede investiga��o sobre Jo�o Lyra
ENTREVISTA A RODRIGO CAVALCANTE, CÉLIO GOMES E PLÍNIO LINS O ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante, preso desde janeiro de 1998 e cumprindo pena no Baldomero Cavalcanti por diversos crimes ? entre eles o assassinato de Sílvio Vianna ? disse à GAZETA que não tem que ?concordar ou discordar? de sua provável transferência para o presídio da Papuda, em Brasília. ?Eu sou um preso?, afirmou. Mas ressalvou que só se transfere um preso quando ele comete faltas disciplinares ou crimes dentro de um estabelecimento penal. E ele nega ter feito isso. Aliás, Cavalcante nega todas as acusações que lhe são feitas ? diz que não matou nem mandou matar Sílvio Vianna, assegura que ?jamais? planejou ou comandou crimes de dentro do presídio, garantiu que não pretende matar juízes, ?nunca? forçou a transferência de presos desafetos ? ele diz que é ?amigo de todos os presos? de sua ala e que a vida no Baldomero é ?normal?, como se uma permanente paz reinasse no presídio. ?Nunca entrei em atrito com ninguém aqui?, disse. Cavalcante falou à GAZETA por telefone, no final da tarde da última quinta-feira (23). Ele concordou em falar após receber autorização do secretário de Ressocialização, Walter Gama, do diretor do sistema penitenciário, coronel Agamenon Oliveira, e do juiz da Vara de Execuções Penais, Jamil Amil Holanda Ferreira. O preso foi informado de que o telefonema para a entrevista seria gravado, e concordou. Os R$ 150 mil Manoel Francisco Cavalcante insistiu, durante quase toda a entrevista, em um ponto que até então ele não abordava: ele defende uma ?investigação do Congresso e do Supremo Tribunal Federal? sobre o empresário e deputado federal João Lyra (PTB). Seu argumento, diz ele, são declarações feitas por José Antônio dos Santos (o Sombra) e por Maria Lúcia Costa ? segundo ele, ex-amante do ex-prefeito de Campo Grande, José Higino ? no Tribunal do Júri, em que Cavalcante foi réu e condenado pela morte de Sílvio Vianna, em fevereiro deste ano. ?Essas testemunhas disseram no júri que eu teria recebido R$ 150 mil do sr. João Lyra para matar Sílvio Vianna. Esse fato nunca foi apurado. Eu pergunto: por quê? Gostaria que o Congresso Nacional apurasse. Por que esse cidadão, essa autoridade não é ouvida para constatar se é verdade ou não??. O objetivo de Cavalcante ? ele mesmo deixa claro ? é envolver João Lyra, como deputado federal com foro jurídico privilegiado, e assim conseguir a transferência do julgamento para o Supremo Tribunal Federal (STF), onde ele acredita que poderá anular o julgamento em que foi condenado em Maceió. ?Quero que o Congresso Nacional avoque esse processo para lá. Se envolve um deputado federal, a obrigação é que ele [Lyra] responda lá no Supremo e eu responda com ele?, disse o ex-militar. ?Se é verdade que eu recebi R$ 150 mil, ele [Lyra] tem que responder comigo. Que país é esse? Eu sou condenado e o cidadão sequer é investigado??. Ao longo de quase 40 minutos de entrevista, Cavalcante bateu nessa mesma tecla nada menos do que nove vezes ? ele próprio fazia questão de trazer o assunto à tona. ?Não estou dizendo que ele [Lyra] é culpado ou não. Só quero que apurem?.