Política
De olho em 2006, Lessa revive alian�a com PDT
ODILON RIOS A ruptura política entre o presidente estadual e municipal do PDT, Geraldo Sampaio, e o prefeito eleito de Maceió, Cícero Almeida (PDT), parece ter ajudado os planos do Palácio Floriano Peixoto na tarefa de eleger, para o Senado, o governador Ronaldo Lessa (PSB), em 2006. Um almoço realizado na quarta-feira entre Sampaio e Lessa reatou os objetivos políticos entre os líderes: ?Tenho respeito e simpatia por este partido e pelo doutor Geraldo?, disse o governador. ?O PDT vota comigo para o Senado?, resumiu Lessa, na quinta-feira, no Palácio Floriano Peixoto. A relação entre o governador e Sampaio nem sempre foi assim ? pelo menos quando o pedetista era vice-governador do Estado no primeiro mandato de Lessa, entre os anos de 1999 e 2002. Em 2001, o relacionamento rachou de vez e Sampaio lançou seu nome ao governo estadual. Perdeu no primeiro turno. Neste ano, de volta ao governo estadual, o PDT deixou a pasta de Trabalho e Renda para lançar Cícero Almeida para concorrer à prefeitura de Maceió. Pouco após as eleições, Sampaio e Almeida se separaram politicamente. O líder pedetista acusou Almeida de traição, pedindo a saída do prefeito eleito do partido. Um mês após a confusão, Almeida anunciou que só fica na legenda até sua posse na Prefeitura Municipal, dia 1º de janeiro. Conversas Com o troca-troca de acusações entre o grupo liderado pelo deputado federal João Lyra (PTB) ? principal financiador da campanha do prefeito eleito ? e o governador, na semana passada, Lessa e Sampaio voltaram a conversar. ?Fui convidar o doutor Geraldo para que ele entrasse no governo, mas ele não aceitou agora. Ele me disse que pareceria que estava brigando por cargos e acha melhor depois que discutir com a vinda de [Carlos] Luppi ao Estado, em janeiro?, falou Lessa, referindo-se ao presidente nacional do PDT. Ataques Os ataques entre os grupos de Lessa e Lyra ficaram mais apimentados depois que a Comissão de Fiscalização e Controle (CFC) da Assembléia Legislativa resolveu investigar os contratos firmados entre a empreiteira Santa Bárbara e o governo do Estado para a construção de presídios alagoanos. Dois deputados estaduais foram os autores do pedido: Gilberto Gonçalves (PP) e Temóteo Correia (PTB), da base de Lyra. De um lado, o ex-governador Manoel Gomes de Barros (PTB) e João Lyra contra-atacaram o governador; do outro, o deputado federal José Thomaz Nonô (PFL), do grupo político de Lyra, alfinetava a prefeita Kátia Born (PSB) em rádios locais. PDT Segundo o assessor de Comunicação do PDT, jornalista Wagner Melo, a visita do presidente nacional do PDT, Carlos Luppi, está programada para o dia 25 de janeiro, dia do aniversário de Sampaio. ?Não existe uma pauta para o encontro?, garantiu. Sobre a possível entrada dos pedetistas no governo, Melo confirmou o almoço entre Lessa e Sampaio, que aconteceu na quarta-feira, avisando que o PDT aceitou o convite e marcou a entrada no governo para janeiro. A visita de Luppi ao Estado, no mês que vem, vai ter até ?condecoração?, garantida pelo governador. A justificativa de Lessa não foi política, mas uma missão, que teria sido delegada a ele pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em visita a Alagoas no mês de novembro. Lula teria proposto a Lessa ser o unificador das esquerdas no Nordeste. ?Eu tenho o compromisso de não sair do PSB. Vou dar uma ajuda ao presidente Lula dentro do PSB, durante algum período e poderei até não sair?, explicou o governador, explicando que está se articulando com ?outras lideranças? do PSB para reestruturá-lo. Confirmada a volta do PDT ao governo, Lessa amplia sua base para a eleição de senador. Até agora, o PSB tem o apoio do PMDB e do PT para as eleições em 2006. Mas, pelo pacto selado, em um primeiro momento, a proposta é lançar o senador Renan Calheiros (PMDB) ao governo, o presidente da Assembléia Legislativa, Celso Luiz (PSB), como vice, e Lessa ao Senado. Aos petistas, a proposta da prefeita Kátia Born: aumentar a base federal do PT, lançando o deputado Paulo Fernando dos Santos (o Paulão) para a Câmara Federal, tentando neutralizar a volta política do ex-governador Mano para o cenário eleitoral, com uma cadeira em Brasília daqui a dois anos.