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Grupo dos 14 tenta retorno na Assembl�ia

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MARCOS RODRIGUES O discurso duro do governador Ronaldo Lessa (PSB) contra os deputados Temóteo Correia (PTB) e Gilberto Gonçalves (PP), antecipou a rearticulação do extinto ?grupo dos 14?, que engessou o seu primeiro mandato (1999-2002). Lessa, durante pronunciamento na semana passada, contestou a investigação anunciada pelos dois parlamentares sobre a construção do presídio Baldomero Cavalcanti. Pela proposta de Temóteo, a Comissão de Fiscalização e Controle, presidida por Gonçalves, irá investigar denúncias de superfaturamento envolvendo a Construtora Santa Bárbara. ?Eles [deputados] querem é extorquir empreiteiras?, disse Lessa. O que era para ser um recado para ?os maus políticos?, acabou por provocar uma reação em cadeia dentro do Legislativo. O resultado é que o grupo de sete deputados, inicialmente descontentes com o governo, pode aumentar para 14. As razões para isso o próprio Lessa já sabe. ?Eles querem é antecipar as discussões sobre a eleição em 2006, que interessa ao deputado federal João Lyra?, revelou o governador. Articulação A articulação da oposição na ALE começou depois da vitória do deputado Cícero Almeida (PDT) para prefeito de Maceió. O detalhe é que ela vinha acontecendo timidamente, já que a idéia inicial era só retaliar o governo em 2005. Para o lado de Almeida e Lyra já haviam anunciado apoio os seguintes deputados: Fernando Gaia Duarte (PPS), Gilvan Barros (PL), Antônio Holanda (PSL), Cícero Amélio (PMN), Francisco Carvalho (PSDB), Temóteo Correia (PTB) e Marcos Barbosa (PTdoB). Depois da crise envolvendo o Poder, mais parlamentares passaram a se posicionar entre a independência e a ida de vez para a oposição. São eles: Cícero Ferro (PMDB), Francisco Tenório (PPS), Antônio Albuquerque (PL), Adalberto Cavalcante (Prona), Gilberto Gonçalves (PP), Nelito Gomes de Barros (PFL) e Gervásio Raimundo (PTB). Um detalhe importante nesse processo é que nos dois grupos existem deputados ligados politicamente ao presidente da ALE, deputado Celso Luiz (PSB). O discurso de quase todos, quando indagados sobre quem os lidera, é sempre de omitir os encontros que vêm ocorrendo, nos bastidores, com assessores ligados ao deputado João Lyra (PTB). ?Sou um deputado de mandato independente e que tenho apenas compromisso com o povo de Alagoas. Aqui na Assembléia, tenho compromisso com o deputado Celso Luiz e não com o governador?, afirmou o deputado Gilberto Gonçalves. Recado O próprio Celso Luiz sabe da movimentação da oposição. O que ele não acredita é que o número dos descontentes reedite o grupo dos 14. Na quinta-feira (23) num recado ao ex-presidente Antônio Albuquerque, Celso disse que compreendia o peso da crise entre o governador e a Assembléia, mas pediu para os colegas lembrarem do passado. ?Tenho compromissos com o Legislativo. Já demonstrei isso quando passei a considerar cada parlamentar com a mesma importância. Todos aqui agora têm liberdade?, falou Celso. Seu pronunciamento foi uma forma de alertar e desarticular a possível liderança do ?grupo dos 14?. No passado, seus integrantes eram comandados pelo deputado Antônio Albuquerque. Agora, o controle do sentimento de oposição não está dentro da ALE. Espontaneamente, os deputados se organizam em torno do ainda deputado Cícero Almeida. Tentativa Para o próximo ano, será o assédio do grupo de Lyra na ALE para cima do próprio presidente Celso Luiz. A tarefa não será fácil, uma vez que Celso é cotado para ser candidato a vice-governador do senador Renan Calheiros (PMDB), em 2006. Porém, essa é a melhor maneira de João Lyra conseguir intervir nos rumos do Legislativo. Na Assembléia existe um clima favorável para os oposicionistas. Até um pedido de impeachment contra Lessa repousa nas gavetas da ALE. Além disso, duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) podem vingar no próximo ano. A primeira pretende investigar as consultorias contratadas pelo governo do Estado, enquanto a segunda quer investigar denúncias na Secretaria de Educação ? além das investigações propostas envolvendo a construção do presídio Baldomero Cavalcante. Passado A movimentação na ALE dos oposicionistas ? se não forem contidos ? pode trazer de volta o passado recente. Em 2001, por exemplo, a pressão dos deputados conseguiu adiar para o ano seguinte a votação do Orçamento Geral do Estado. Uma outra demonstração de força do ?grupo dos 14? aconteceu na CPI da Saúde. Os deputados confirmaram a compra ilegal de leite e óleo, o que resultou no afastamento da então secretária Amália Amorim.

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