Política
Vereador rebate acusa��es de Paulo Corintho
LUIZA BARREIROS O vereador Damásio Ferreira (PTdoB) rebateu ontem as acusações feitas contra ele por Paulo Corintho (PV), de que teria havido uma ?manobra? para impedir sua posse como vereador. Damásio era o primeiro suplente da coligação e foi empossado no cargo de vereador no lugar de Paulo Corintho, depois que a Justiça Eleitoral suspendeu liminarmente seu diploma, numa ação que apura a denúncia de que ele comprou votos na eleição de 3 de outubro. A ação de impugnação da candidatura de Paulo Corintho foi ajuizada pelo PSDC e pelo PTdoB, partido de Damásio Ferreira. Os dois partidos eram coligados ao PV na eleição. ?Se houve alguma manipulação, sou muito poderoso?, afirmou Damásio Ferreira, em tom de ironia. Segundo ele, se a tese defendida por Paulo Corintho numa nota oficial divulgada no dia 1º estiver certa, ?eu precisaria ter poder para ter manobrado um juiz e um desembargador?, argumentou Damásio, referindo-se ao juiz plantonista Celyrio Adamastor, que concedeu a liminar impedindo a posse de Paulo Corintho, e ao desembargador José Fernando Lima Souza, que manteve a decisão do juiz num recurso ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Damásio Ferreira afirmou ainda que precisaria ter manobrado ?todas as pessoas que foram para a porta do comitê de Paulo Corintho cobrar o pagamento pelo voto, um dia após a eleição, e as que protestaram na porta da Secretaria de Trabalho cobrando os empregos prometidos durante a campanha?. O pai de Paulo Corintho, Corintho Campelo da Paz, foi secretário de Trabalho no governo Ronaldo Lessa (PSB). ?Também precisaria ter poder para manobrar toda a polícia que foi a esses locais evitar o tumulto, as televisões, rádios e jornais que divulgaram as acusações contra ele e até o vice-presidente da OAB [Ordem dos Advogados do Brasil], Everaldo Patriota, que três dias antes da eleição entrou com uma representação contra o Paulo Corintho, pela mesma acusação de compra de votos, além do Ministério Público e da Polícia Federal?, continuou Damásio Ferreira. Ele disse ainda que, para confirmar a tese de Paulo Corintho, ele (Damásio) precisaria ter ?manobrado as gráficas que imprimiram as pulseiras plásticas distribuídas pelo candidato entre os seus eleitores e até o ex-deputado Mendonça Neto ? que segundo Damásio é amigo da família de Paulo Corintho ?, que escreveu um artigo pedindo sua renúncia?. Para Damásio Ferreira, ao denunciar a existência de uma suposta ?manobra? contra ele, Paulo Corintho desrespeitou a Justiça Eleitoral e a Câmara de Vereadores, que deu cumprimento à ordem judicial. ?Se ele acha que houve manobra, deve denunciar a Justiça, que foi a responsável pela decisão?, afirmou. Paulo Corintho também afirmou na nota divulgada no dia 1º de janeiro que a decisão do juiz Celyrio Adamastor foi ?arbitrária?. Recurso Paulo Corintho contratou o advogado Adriano Soares da Costa para atuar em sua defesa. Ontem, a GAZETA tentou ouvir Paulo Corintho, mas nem ele nem o pai, Corintho Campelo, foram localizados em seus telefones celulares. A informação obtida pela reportagem foi de que ontem o advogado Adriano Soares teria dado entrada em um novo recurso junto ao Tribunal Regional Eleitoral. O advogado também não foi localizado em seu escritório e, até o fechamento desta edição, não havia retornado os recados deixados com sua secretária. Até uma outra eventual decisão, Damásio Ferreira continua no exercício do mandato como vereador de Maceió.