Política
PACHECO VENCE MARINHO E É REELEITO PRESIDENTE DO SENADO
Senador recebeu 49 votos e disse que democracia está de pé por quem ‘se dispôs ao diálogo’
O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) foi reeleito presidente do Senado e comandará a Casa pelos próximos dois anos, após votação ocorrida ontem.
Pacheco, que contou com o apoio do PT, venceu a disputa contra Rogério Marinho (PL-RN), que contava com o apoio da bancada ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O placar terminou 49 a 32. Eram necessários 41 votos para assegurar o cargo.
A votação ocorreu após a posse dos novos 27 senadores.
O resultado da eleição na Casa representa uma demonstração de força do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) um mês após o início do seu mandato. O terceiro candidato, Eduardo Girão (Podemos-CE), desistiu de concorrer em favor de Marinho pouco antes do início da eleição.
Logo após o anúncio do resultado, o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) telefonou para Lula e depois passou o aparelho para o senador mineiro, que estava ao seu lado. O petista parabenizou Pacheco, manifestou disposição em trabalharem juntos e depois os dois combinaram de conversar futuramente.
O presidente do Senado contou com o apoio dos partidos que estão na base de Lula e conseguiu barrar traições com a negociação de espaços em comissões, na Mesa Diretora e em cargos de segundo e terceiro escalão do governo federal.
Pela manhã, o ministro da Justiça, Flávio Dino, que é senador eleito pelo PSB-MA, disse que o governo estava “todo mobilizado” pela vitória do aliado por ser uma “questão fundamental para governabilidade e harmonia”.
Além do PSD, Pacheco recebeu o apoio formal do MDB, do PT, do PSB, do PDT e da Rede. Já o bolsonarista Rogério Marinho formou um bloco com PL, PP e Republicanos. Conquistou ainda o voto de integrantes do PSDB.
Antes da votação, Pacheco discursou e defendeu sua gestão à frente do Senado. Ele disse que não cedeu para a prática da “chantagem”. Também afirmou que garantiu a independência do Senado em relação aos demais Poderes, combatendo a ideia de que a Casa permitiu a hipertrofia do Judiciário —bandeira de Marinho.
PACIFICAÇÃO
Em seu discurso de vitória à reeleição, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) defendeu a democracia, a pacificação da sociedade e a independência do Parlamento. Pacheco repudiou os atentados às sedes dos Poderes em Brasília no início de janeiro e disse que a “democracia está de pé” pelo trabalho de quem escolheu ao diálogo à violência. Ele afirmou que é necessário pacificação no Brasil como um todo, incluindo no Congresso. Assim, pregou união dentro da Casa legislativa, ressaltando que o recado que o Senado dá ao Brasil é da “defesa intransigente da democracia“.
“Pacificação não significa omissão ou leniência. Não é inflamar a população com narrativas inverídicas, tampouco com soluções aparentes que, na verdade, geram instabilidade institucional. Pacificação não significa se calar diante de atos antidemocráticos”, disse.
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“Pacificação é buscar cooperação, lutar pela verdade, abandonar o discurso de nós contra eles e entender que o Brasil é imenso e diverso. Mas o Brasil é um só”, acrescentou. Assim, Pacheco destacou que é preciso erradicar o que chamou de “polarização tóxica”, que os interesses do Brasil estão acima de questões partidárias e que os atos criminosos contra os Três Poderes em 8 de janeiro “não podem e não vão se repetir”. “Brasileiros precisam voltar a se divergir civilizadamente. Precisam reconhecer com absoluta sobriedade, quando derrotados, e respeitar a autoridade das instituições públicas”, observou. “Discurso de ódio, da mentira, discurso golpista que aflige e afasta a democracia deve ser desestimulado, desmentido, combatido por todos nós, sem exceções. O enfrentamento da desinformação deve ser claro, assertivo, direto”, advertiu. Além disso, o presidente reeleito defendeu a independência entre os Poderes, mas ressaltou que irá colaborar com o governo federal. Durante o discurso, Pacheco também cumprimentou o adversário Rogério Marinho e os senadores Otto Alencar e Rogério Marinho.