Política
Vereadores acatam o corte de 151 emendas
ODILON RIOS O prefeito de Maceió, Cícero Almeida (sem partido), vai vetar 151 das 155 emendas apresentadas pelos vereadores ao Orçamento do município, aprovado em dezembro passado. A decisão saiu ontem, no começo da tarde, depois de uma demorada conversa do prefeito com 15 vereadores integrantes da bancada do governo na Câmara, na sede da Prefeitura. ?Das 155 emendas dos vereadores, sobram quatro?, disse o vereador Dudu Holanda (PTB), que participou da reunião. De acordo com Holanda, só outros três vereadores continuarão a ter garantidas suas emendas no Orçamento da capital, além dele próprio: Zé Márcio (PTB), Gerônimo Ciqueira (PSB) e Carlos Ronalsa (PMDB). Cada um com uma emenda. Esses vereadores são da bancada parlamentar de Almeida. A justificativa apresentada pelo prefeito, segundo Holanda, é que as emendas ultrapassam os limites do orçamento. ?O prefeito conversou com cada vereador e disse que ele iria vetar [as emendas] porque estouravam o orçamento. Todo início de governo existem essas questões?, afirmou Holanda. A GAZETA apurou que as emendas estavam sendo avaliadas do ponto de vista técnico e que, antes da decisão, houve várias reuniões, esta semana, com o secretário de Planejamento, Elionaldo Magalhães. Ele teria exposto ao prefeito que, para a realização da reforma administrativa, seria necessário o veto às emendas. Na prefeitura, houve uma conversa com todos os vereadores e, logo depois, cada um era chamado para um encontro reservado com o prefeito. A reunião de ontem buscou acabar com o impasse entre os vereadores, depois de Almeida anunciar, através do presidente da Câmara, o veto a todas as emendas parlamentares. O assunto não foi bem digerido por parlamentares e funcionou como uma espécie de prova aos nomes da bancada, que deixariam de beneficiar suas bases eleitorais para decidir pelo veto. O prefeito, mais uma vez, evitou conversar com a imprensa. A Secretaria de Comunicação chegou a garantir que Almeida emitiria uma nota oficial sobre o encontro, mas isso não aconteceu até o fechamento desta edição. Reforma O encontro com os vereadores também definiu que a reforma administrativa do prefeito vai cortar três órgãos da administração municipal, mas os nomes não foram apresentados. O projeto da reforma estava previsto para esta semana, mas acabou sendo adiado duas vezes, em clima de mistério e incerteza. Os três órgãos que poderiam ser extintos são o Instituto de Pesos e Medidas (Ipem-Mac), a Secretaria de Regiões Administrativas e a Auditoria Geral do Município, que seria incorporada à Secretaria de Controle Interno. Na campanha, Almeida disse que cortaria metade das secretarias existentes no governo anterior. Eram 34, e ele manteve 31. A reunião de ontem também definiu os líderes do governo e da bancada na Câmara. Os três escolhidos são do PTB, partido do deputado federal João Lyra: Walter Pitombo Laranjeiras (bancada), Zé Márcio e Dudu Holanda (governo). ?A bancada está em sintonia com o prefeito?, avisou o presidente da Câmara, Arnaldo Fontan (PFL). O presidente voltou a insistir que a reunião havia definido o corte de todas as emendas. ?A idéia é vetar todas. Uma ou outra vai sobrar?, enumerou. ?Antes de janeiro, resolveremos os problemas?, previu, incluindo nos ?problemas? a reforma administrativa. Vereadores ouvidos pela GAZETA diziam que a reunião também combinou a autoconvocação da Câmara, o que não geraria o pagamento de verba adicional aos vereadores. ?A Câmara será auto-convocada depois que o prefeito finalizar o projeto [da reforma administrativa]?, adiantou Fontan. Sustentação Para o encontro com os vereadores, Almeida convidou 16 vereadores que fazem parte da bancada de sustentação do governo, mas 15 compareceram: Cristiano Matheus (PFL), Toroca (PTB), Chico Holanda (PL), Arnaldo Fontan (PFL), Dudu Holanda (PTB), Berg Holanda (Prona), Gerônimo Ciqueira (PSB), Zé Márcio (PTB), Fátima Santiago (PTB), Davi Davino (PSDB), Carlos Ronalsa (PMDB), Damásio Ferreira (PTdoB), Alan Balbino (sem partido), Marcelo Víctor (PP) e Galba Novaes (PL). Um vereador faltou e, nos corredores da prefeitura, falava-se que era Diogo Gaia (PT), mas Fontan não confirmou a informação. Gaia votou em Fontan para a presidência da Câmara, apesar de pertencer à bancada de oposição ao prefeito. Ele foi punido no PT com advertência pública. Mas as reformas pareciam crescer em polêmica, tanto que até o deputado federal Benedito de Lira (PP) e o deputado estadual Cícero Amélio (PMN) estiveram na reunião. ?Vim aqui para visitar o prefeito?, despistou Lira. ?Vim aqui para conversar com o Berg para viajarmos à praia?, alegou Amélio. O deputado estadual Antônio Holanda (PSL) também esteve presente.