Política
PSDB deixa governo Lessa
CELIO GOMES O senador Teotonio Vilela Filho (PSDB) e o governador Ronaldo Lessa (PSB) não chegaram a um acordo e os tucanos estão fora do governo estadual. Além disso, estão suspensas todas as negociações para uma possível parceria entre eles nas eleições de 2006. Esse é o cenário desenhado por Téo Vilela como resultado do encontro com Lessa, há dois dias. Eles conversaram por cerca de duas horas e meia, na noite da última quinta-feira, para tentar resolver o impasse criado com a decisão do governador de mudar o comando na Secretaria Executiva de Saúde, até agora ocupada pelo tucano Álvaro Machado. Lessa anunciou a saída de Machado da secretaria para acomodar no governo a ex-prefeita Kátia Born (PSB), depois da derrota na eleição da Prefeitura de Maceió. ?Deixei bem claro para o governador que o PSDB fica fora do governo com a saída do Álvaro da Secretaria de Saúde?, disse ontem o senador Téo Vilela. Também segundo o senador, o governador só resolveu mexer na Secretaria de Saúde porque não teria resistido às pressões de Kátia Born e achou melhor ceder. ?O próprio governador me disse: ?olha, Téo, a Kátia fez muita pressão...??. Segundo o senador, ?do ponto de vista pessoal?, a conversa com Lessa foi cordial e tranqüila, mas ?politicamente foi uma decepção?. Embora aborrecido com a decisão do governador, Téo Vilela afirma que ?isso não significa rompimento?. Mas ele destaca que, além da decisão imediata de sair do governo, o gesto de Lessa deixa os dois separados para projetos políticos. ?A decisão do governador nos distancia. Quem vai dizer o tamanho dessa distância é o meu partido?, disse o senador tucano, explicando que o PSDB fará uma reunião para traçar os rumos de atuação, agora fora do governo estadual. ?2006 está longe? Téo Vilela defendia a permanência de Álvaro Machado na secretaria e conversava com Lessa sobre uma aliança envolvendo o senador Renan Calheiros (PMDB) como candidato a governador em 2006. Lessa sairia para o Senado com o apoio do PSDB de Téo Vilela. Dessa forma, estariam reunidas as mesmas forças políticas que garantiram a reeleição de Lessa em 2002. Sobre a reedição dessa aliança, a visão do senador agora é outra: ?O Renan não tem nada a ver com essa situação do governo Lessa. Afinal, 2006 está muito longe para definir apoios e alianças?. O governador Ronaldo Lessa repetiu para o senador o que já havia dito à imprensa ao afirmar sua intenção de manter o PSDB no governo, deslocando Álvaro Machado para outra secretaria. O convite foi recusado. ?Eu disse ao governador que nosso partido não está interessado em discutir cargos; a questão não era essa. O PSDB não aceita nenhuma outra secretaria e estamos fora?, disse o senador. A relação com o governo Lula também separa Téo e Lessa. Oposição ao PT, o senador aproveitou a reunião com o governador para lembrar que as grandes obras em andamento no Estado não receberam recursos orçamentários nos últimos dois anos. ?Eu lembrei ao governador que nos dois primeiros anos do governo Lula, Alagoas não recebeu nenhum centavo para obras como o Canal do Sertão e o Aeroporto de Maceió; o governo federal penaliza Alagoas?, disse o tucano. Lessa, por sua vez, tem dito seguidas vezes que é um dos ?articuladores? do presidente Lula para a região Nordeste.