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Nova C�mara come�a o ano em p� de guerra

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ODILON RIOS Uma semana depois da posse da nova Mesa Diretora da Câmara de Municipal de Maceió, o clima na Casa não é dos melhores: ameaças de auditoria, chantagem nos bastidores, traições e até pedidos de troca de partido começam a aflorar entre os vereadores, que brigam por espaço e projeção. Logo após a eleição do presidente da Câmara, no dia 1º, começou a ?guerra? entre os vereadores Arnaldo Fontan (PFL) e Judson Cabral (PT). Fontan foi eleito após uma disputa com lances nervosos, que envolveu até a Assembléia Legislativa. O presidente acusou o vereador petista de ter ?sumido? com o dinheiro do terminal de passageiros do Benedito Bentes e de ter feito uma administração ?duvidosa? na Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT). ?Ele deve mostrar sua cara nojenta. Ele que não venha me fazer medo?, disparou Fontan, ao telefone, na semana passada. Segundo Fontan, Judson Cabral teria recebido da Câmara R$ 68 mil, ?dinheiro pertencente a servidores da Casa?. Do outro lado, o petista disse que o dinheiro tinha sido uma conquista na Justiça e havia sido rateado entre 18 servidores. ?Esse dinheiro faz parte das folhas atrasadas na Câmara, na gestão do vereador Fontan como presidente?, atacou. ?Todos os vereadores tinham direito a esse dinheiro, mas apenas eu entrei na Justiça?. Cabral vai pedir uma auditoria na gestão do presidente Fontan, em 2000. ?Eu desconheço a prestação de contas do presidente?, disse, em tom irônico. Mais auditoria Outro pedido de auditoria é do vereador-pastor João Luiz (PMDB). Ele quer uma varredura nas contas do ex-presidente da Casa, Alan Balbino (sem partido). ?Vou conversar com o presidente e fazer o pedido?, anunciou o pastor na semana passada. A intenção de João Luiz é enviar o pedido com outra assinatura: a do vereador Marcos Alves (PSB), que propõe uma investigação com o auxílio do Ministério Público. A dúvida do pastor é quanto à distribuição da verba de gabinete a cada assessor parlamentar. Balbino se defendeu. ?Não é necessário que eles peçam os balancetes da minha administração. Não tenho nada a temer. Eu mesmo, depois que o presidente da Casa solicitar, entregarei a documentação?. Balbino ficou surpreso com a insistência de João Luiz quanto ao pedido de auditoria. ?Nós conversamos após as eleições e ele me disse que havia pedido uma auditoria por causa do prefeito Cícero Almeida. Se ele [João Luiz] pedir a auditoria, eu vou propor que façamos uma investigação sobre o incêndio na Câmara de Vereadores, que aconteceu na gestão do pastor João Luiz?, ameaçou. Na época, o incêndio da Câmara foi considerado criminoso e o inquérito nunca foi concluído. João Luiz era o presidente da Câmara. Segundo Balbino, dias depois, Arnaldo Fontan o havia procurado para informar que o pastor desistira do pedido. Mas, na sexta-feira, 7, o pastor reiterou o desejo de auditoria e disse que terá uma conversa com o presidente da Casa, nos próximos dias. Oposição, mas nem tanto Na disputa pela presidência da Câmara, dois vereadores acabaram mudando seus votos e um deles integra a Mesa Diretora da Casa. Foi o caso de Gerônimo Ciqueira (PSB), vice-presidente. Ele enfrenta um processo de expulsão no PSB, mas o governador Ronaldo Lessa (PSB) não quer sua saída da base. ?Vou conversar com o governador esta semana para resolver isso. Não posso ser contra Maceió?, explicou Gerônimo. O vereador Diogo Gaia (PT) foi advertido publicamente pelos petistas porque votou no candidato adversário do próprio partido, Arnaldo Fontan, para a presidência da Câmara. Judson Cabral, que era o candidato dos petistas, desistiu da disputa e anulou o voto. ?O vereador Diogo Gaia não compareceu à reunião com o prefeito porque está com seu partido e sua família discutindo sua situação. Se ele quiser vir à bancada, será bem vindo?, alfinetou Arnaldo Fontan, falando da reunião entre o prefeito e a bancada de aliados, na sexta-feira, e de um possível reforço do vereador do PT. Outro parlamentar, Eduardo Canuto, eleito pelo PV, chegou a ser elogiado pelo governador Ronaldo Lessa, que o considerou um ?bom quadro para o PSB?. Depois do convite público, Lessa recuou e disse que o PV deveria se fortalecer na Câmara. Canuto votou, segundo o vereador Judson Cabral, ?por engano? no candidato Fontan. ?Tenho grande atenção pelo vereador Eduardo Canuto. Agradeço seu voto?, disse o presidente da Casa. Canuto não compareceu à reunião com a bancada do prefeito na sexta-feira, 7, aumentando o mistério dos bastidores.

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