Política
Empres�rios saem do anonimato na ca�a ao voto
LUIZA BARREIROS Para o cientista político Eduardo Magalhães, há uma tendência em todo o país de maior participação dos ricos na política. ?Antes, eles tinham testas-de-ferro. A partir da década de 80, é possível ver a presença forte do grande capital, mas disputando as eleições?, observa. Segundo o cientista, ao mostrar a cara e se submeter ao voto, os empresários mostram ter resolvido defender, eles próprios, os seus interesses, sem intermediários. ?É uma evolução natural da democracia brasileira, com a presença fortíssima do grande capital. Isso já acontece nas grandes democracias do mundo, como os Estados Unidos e a Inglaterra?, diz. Segundo ele, em todo o país a participação explícita de empresários começou há mais de uma década. ?Basta lembrar que Antônio Ermírio de Moraes disputou o governo de São Paulo em 1990?, cita. ?Em Alagoas está acontecendo agora, porque aqui tudo acontece com um pouco de atraso em relação ao resto do país?, comenta. Eduardo Magalhães lembra ainda que muitos dos ricos que se candidatam tendem a conseguir ser eleitos, principalmente pelo abuso do poder econômico que prevalece nas campanhas eleitorais brasileiras. ?A nova ideologia é a do capital?, diz, lembrando que recentemente foi divulgada uma pesquisa que mostrou que mais de 40% dos homens mais ricos de Brasília já disputaram cargos eletivos de governador, deputado federal e senador. História Em Alagoas, o possível enfrentamento entre os representantes dos dois maiores grupos econômicos não é visto como uma novidade pelo cientista político. ?A diferença é que eles disputavam a presença forte no governo através do financiamento de campanha. E, agora, vão disputar eles mesmos as eleições?, justifica. Magalhães lembra que no Estado, antes do golpe militar, havia duas grandes linhas políticas: a oligarquia urbana (formada por industriais e usineiros ligados à UDN) e a oligarquia rural, representada por coronéis da agropecuária, ligados ao PSD. ?Com a chegada do regime militar, foi criado um instrumento para fundi-los na Arena. Para manter as diferenças, criaram as sublegendas e eles continuaram adversários pelo voto?, diz. Setor Para Eduardo Magalhães, na disputa política entre os representantes dos grupos João Lyra e Carlos Lyra, ganhe quem ganhar, vencerá o setor sucroalcooleiro ? que é o mais importante do Estado. ?É o caso de se dizer que estão separados, mas ao mesmo tempo unidos?, complementa. ?É preciso que, chegando ao poder, priorizem outras alternativas econômicas para o Estado de Alagoas, já que os próprios empresários do setor argumentam que a capacidade de investimento na área chegou ao limite máximo?, observa, lembrando que vários usineiros de Alagoas já investem fora do Estado.