Política
Lessa quer Albuquerque fora do PL para negociar alian�a
ODILON RIOS A aliança político-eleitoral entre o PSB e o PL em Alagoas, inclusive através de cargos no governo estadual, tem uma condição: a expulsão do deputado estadual Antônio Albuquerque do Partido Liberal. A exigência é do governador Ronaldo Lessa (PSB). ?Minha avaliação é que o deputado Antônio Albuquerque vai sair do PL. Pode considerar isso como um pedido meu. Com ele no PL, não tem acordo?, disse Lessa, ontem pela manhã, durante a entrega de 42 cheques do programa do Microcrédito, no conjunto Carminha. O deputado federal João Caldas (PL) negocia um acordo com Lessa para tentar unir socialistas e liberais no governo, inclusive com cargos. O PL quer dois órgãos: uma secretaria extraordinária e a Agência Alagoana de Habitação, mas o governador afirmou ontem conhecer só um dos pedidos: a agência de Habitação. Ouvido ontem, por telefone, pela GAZETA, Caldas evitou polemizar sobre Albuquerque. ?Não parei para discutir isso?, desconversou. Ele não confirmou nem negou o assunto, mas tratou de parecer distante de Albuquerque. ?Já faz meses que não converso com o deputado [Albuquerque]. Nem sei se ele ainda está no PL?, disse Caldas. A GAZETA tentou contato com o deputado Antônio Albuquerque, mas foi informada por sua assessoria de que ele estava em um povoado, na cidade de Limoeiro de Anadia. Os confrontos entre o deputado Albuquerque e o governador têm mais de dois anos. Em 2002, separado politicamente de Lessa, Albuquerque apoiou a candidatura do ex-presidente Fernando Collor ao governo do Estado. Logo após as eleições, o deputado estadual ensaiou uma volta ao bloco de Lessa e ganhou a indicação da Secretaria de Ciência e Tecnologia. Na Assembléia, as relações entre Albuquerque ? que já foi presidente da Casa ? e o deputado estadual Celso Luiz (PSB) estremeceram ainda mais após a demissão da procuradora-geral da casa, Rosa Albuquerque, irmã de Antônio Albuquerque. O deputado do PL se envolveu em momentos polêmicos no Poder Legislativo, como em 2001, quando trabalhadores rurais sem-terra tentaram invadir a Assembléia e foram ameaçados por Albuquerque de serem expulsos ?na tabica?, conforme declarou na época. Difícil O governador classificou o atual momento político como ?difícil?, porque envolveria interesses de diversos partidos da base aliada. ?O PMDB e o PSDB querem apoiar, mas não querem cargos?, afirmou o governador, apesar de a posição dos tucanos ser bem diferente. (ver matéria nesta página) Nos ?arranjos políticos?, como classificou o governador, também estão incluídos o PT, o PCdoB e o PCB, mas não se tem, pelo menos oficialmente, uma posição sobre os cargos que esses partidos assumirão, nos próximos dias. Há dois dias, Lessa falou em uma secretaria para cada uma dessas legendas, o que aumentaria a participação deles no governo. Os petistas, por exemplo, têm a secretaria de Trabalho e Assistência Social; os comunistas teriam outra pasta, além da Cultura; e o PCB, na dança das cadeiras, ficaria com o Inepro e o Núcleo de Apoio à Juventude. ?Nosso nome está sendo estudado?, disse o petista Zé Roberto, falando que o PT, em consenso, optou pelo nome dele em um cargo no governo estadual.