Política
Oposi��o reclama de vetos e culpa C�cero Almeida
A análise dos vetos na Câmara, marcada para hoje, acabou gerando polêmica entre os parlamentares da oposição. O vereador Judson Cabral (PT), integrante da Comissão de Orçamento, chegou a questionar se a autoconvocação feita pela Mesa Diretora da Câmara seria legal. ?Estou achando intempestiva essa auconvocação. Ela deveria ter sido feita por escrito e, além disso, deveria existir o parecer das comissões?, justificou o petista, esperando adiar a discussão dos vetos no Legislativo hoje, além de fazer um pronunciamento sobre o assunto. Das 60 emendas que Judson Cabral apresentou ao projeto, apenas uma, pelas suas contas, não foi cortada. Ela pede uma suplementação de créditos ao Executivo. Já uma das emendas do vereador vetadas pelo prefeito aumentaria a renda no programa Bolsa-Família, do governo federal. ?Precisamos discutir qual foi a intenção da prefeitura ao fazer estes vetos?, declarou. Cabral disse que irá se reunir com as comunidades que seriam beneficiadas com suas emendas depois que souber o porquê dos vetos. O objetivo do petista é organizar um movimento contra a decisão de veto em massa do prefeito Cícero Almeida. ?O prefeito começou a dar uma demonstração de força de sua bancada, mas eu pretendo chamar a atenção para a independência da Câmara?, disse o vereador. Para outro vereador da oposição, Marcos Alves (PSB), que não teve nenhuma das emendas mantidas (elas incluíam escadarias na Grota do Arroz e melhoramentos na Vila Brejal, grotas do Pau D?Arco e do Moreira), Almeida acaba indo de encontro à periferia. ?Ele vai arcar com o ônus dos vetos?, destacou o pessebista. ?Oitenta por cento destas emendas que foram apresentadas foram para as comunidades. O prefeito diz que vai governar com o povo e estas emendas que foram vetadas seriam para essas comunidades?, reclamou. Na Câmara, apenas esses dois vereadores declararam oposição ao presidente da Casa, Arnaldo Fontan (PFL), pelo menos oficialmente. Benesse Durante a votação do Orçamento, cada vereador pode apresentar emendas, ou seja, destinar determinada verba a entidades, bairros ou locais da cidade, geralmente carentes. Só que estes locais acabam se transformando em um potencial celeiro eleitoral, convertendo as emendas em votos ao parlamentar ligado àquela região. É comum na Câmara, por exemplo, um parlamentar se perpetuar no poder por causa deste ?prestígio? em determinado bairro da capital. A polêmica provocada por emendas não é novidade. Elas já estancaram, por exemplo, as atividades da Assembléia Legislativa Estadual (ALE), ano passado. Como as emendas ao orçamento de 2004, prometidas pelo governo estadual, não tinham sido liberadas, os deputados acabaram emperrando a aprovação do Orçamento de 2005 forçando uma negociação do governo com os parlamentares.