Política
Machado rejeita novo cargo no governo Lessa
ODILON RIOS O secretário de Saúde, Álvaro Machado, decidiu ontem à noite, com o governador Ronaldo Lessa (PSB), que não irá ocupar outra secretaria no governo estadual. ?O governador lamentou a minha saída, mas foi uma decisão tomada com o PSDB?, avaliou, por telefone. O mistério sobre o futuro de Machado durou uma semana, quando o governador lhe ofereceu dois cargos: a direção do Laboratório Industrial de Alagoas (Lifal) ou a Secretaria de Indústria e Comércio após lhe tirar a Secretaria de Saúde para dar à ex-prefeita Katia Born (PSB). Nos bastidores, a ex-prefeita teria pressionado Lessa a ficar com a pasta da Saúde mas o governador falava em ?merecimento? de Born que ocupou o mesmo cargo, sendo no governo municipal. A posse dela está marcada para o dia 25. Com o fim do mistério, Machado terá de optar entre aceitar o convite do ministro da Saúde, Humberto Costa, ou da reitora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Ana Dayse. Na Ufal, o secretário pode assumir a função de assessor do Hospital Universitário; no Ministério, um cargo indicado por Costa. Na semana que vem, ele viaja a Brasília para conversar com o ministro sobre o assunto. ?Minha ida a Brasília não quer dizer que aceitei o convite?, adiantou o secretário. Ontem, nos bastidores, existia a informação que neste fim de semana estaria programado um encontro entre Machado e o senador Renan Calheiros (PMDB). Na pauta, uma possível articulação para que o secretário assumisse o Ministério da Saúde. A informação não foi confirmada por Machado. ?Isso não é verdade?, resumiu. Sobre um possível ?sim? na função, o secretário teria de deixar o PSDB e ingressar no PMDB, já que, no governo federal, os tucanos são oposição ao governo Lula. ?Não saio do PSDB nem que o convite seja muito atraente?, destacou Machado, em entrevista à rádio GAZETA. Machado foi o criador do Programa Saúde da Família (PSF), quando trabalhava na Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Na sexta-feira, incluiu o único município alagoano que não era abrangido pelo programa: Viçosa. Desde que o governador anunciou a entrada de Born na Secretaria de Saúde, o PSDB, que indicou Machado ao cargo, já havia decidido não assumir outra secretaria no governo estadual. O mal-estar abalou as relações entre tucanos e pessebistas, e o senador Teotonio Vilela Filho, chegou a falar em uma possibilidade de oposição a Lessa, conforme decisão tomada esta semana pela Executiva Estadual do partido, complicando as negociações do governador para se eleger ao Senado em 2006 com o apoio do PSDB. A saída de Machado não teria sido avisada a Téo, defendeu o partido. ?Está estabelecido um distanciamento entre o PSDB e o PSB, cuja extensão teria que ser determinada pelo partido como um todo?, descreveu a nota oficial do PSDB, ao discutir a saída de Machado do governo. Crise A aliança entre PSDB e PSB vem desde 2002 e ajudou a eleger Lessa, Téo e Calheiros ao governo e ao Senado, respectivamente. A crise começou antes das eleições municipais, quando o PMDB e o PSDB lançaram candidato próprio ao governo municipal e deixaram de apoiar o candidato do Palácio dos Martírios, Alberto Sextafeira (PSB). Na época, a prefeita Kátia Born pediu a retirada de todos os nomes tucanos no governo estadual e municipal mas Álvaro Machado acabou sendo preservado, mesmo diante dos protestos de Born. Após as eleições, tucanos e socialistas continuaram a andar afastados e o PSDB falava até em lançar candidato próprio ao governo estadual, sem levar em conta a aliança com o PSB. A possibilidade voltou a ser cogitada e hoje três nomes são ventilados: o da ex-prefeita de Arapiraca, Célia Rocha; o do empresário João Tenório e o do próprio senador Téo Vilela. O PSDB quer caminhar com o PMDB em 2006, mas o PSB trabalha na aliança com Renan no governo e Lessa no Senado e, como vice de Renan, o presidente da Assembléia Legislativa, Celso Luiz.