Política
Delegadas conquistam seu espa�o na pol�cia
FERNANDO COELHO Se depender da boa vontade das delegadas Fabiana Leão e Paula Mercês, as mulheres de Maceió estão seguramente bem protegidas. No comando das duas Delegacias Especializadas da Mulher, o trabalho realizado por ambas é promover a conscientização da população feminina em relação a seus direitos de defesa. Os números comprovam. Se em 2003, o relatório das delegacias registrou 2.149 ocorrências e 257 procedimentos instaurados, em 2004, foram 3.517 ocorrências ? das quais 490 se transformaram em processos. ?O aumento na demanda é positivo, pois prova que as mulheres estão mais conscientes de que sabem onde podem recorrer?, explica Fabiana Leão. Cerca de 30 ocorrências são registradas, em média, diariamente. Depois de advogar durante pouco tempo após formada, Fabiana Leão mirou suas energias no alvo dos concursos públicos. A escolha de ser delegada teve respaldo na vontade de seguir alguma das carreiras jurídicas e em seu interesse de ficar em Alagoas. ?É uma profissão digna?, comenta. À frente da 2ª Delegacia Especializada da Mulher, ela desbanca o clima sombrio que supostamente envolve a profissão. ?É um trabalho como outro qualquer, mas com uma grande responsabilidade. É como um médico que lida com vidas humanas. Nós lidamos com a solução de problemas cotidianos da população?, compara. Sobre os casos mais destacados em dois anos na Delegacia, Fabiana Leão revela: ?Os casos com crianças foram os mais chocantes?. Isso porque até a criação da Delegacia de Menores, a Especializada da Mulher era responsável pelos casos. ?Choca a violência doméstica ligada à criança?, diz. Transporte de presos Em Maceió, a Delegacia da Mulher está em uma posição privilegiada em termos de infra-estrutura. Segundo a pesquisa da Secretaria Nacional de Segurança Pública, cerca de 53% das delegacias especializadas de todo País não têm coletes à prova de balas, 54% não possuem pistola e 90% não possuem espingarda. As duas delegacias de Alagoas estão equipadas com tudo isso. Ambas trabalham em conjunto e, ao todo, possuem um efetivo de 36 policiais, entre agentes, delegados e escrivães. Hoje, dividem a mesma estrutura física, mas a perspectiva é a da construção de um novo prédio para uma das delegacias, em local ainda a ser definido, possivelmente, na região do Tabuleiro do Martins. O principal problema é a falta de carros para transportar presos. Mas isso está sendo resolvido mediante o envio de dois veículos cedidos pelo governo federal para as delegacias via o Fundo Nacional de Segurança Pública. Roubos e Furtos A pernambucana de Recife Bárbara Arraes é delegada adjunta da Delegacia de Roubos e Furtos. Há um ano na função, ela passou no concurso e ingressou na carreira ao suprir uma das vagas de candidatos desistentes. ?Minha vida sempre foi fazer concurso. Ser delegada foi resultado de mais um deles?, revela. Mesmo quando ainda estudante de Direito, Bárbara confessa que nunca pensou em seguir carreira como delegada e afirma que, depois do concurso, se identificou com a função. ?Me descobri depois que entrei. Eu pensei que seria pior. A imagem que eu fazia da polícia era muito diferente. As pessoas têm medo de vir na delegacia, mas, depois que elas chegam aqui, percebem que a polícia está totalmente modificada. Gosto de ajudar a sociedade?, frisa. A Roubos e Furtos é uma das mais movimentadas delegacias de Maceió, com um número de ocorrências diárias variando entre 40 e 60 casos. ?Trabalho é a palavra?, brinca. Seu envolvimento com a função é tanto que ela deixa escapar uma nova relação com o Estado que a empregou. ?Já me sinto mais alagoana que pernambucana?, confessa.