Política
Lessa volta a cogitar sa�da do PSB e surpreende
REGINA CARVALHO ODILON RIOS O governador Ronaldo Lessa voltou a cogitar a possibilidade de sair do PSB, ontem, antes da posse do secretario de Ciência e Tecnologia, Pedro Nelson Bomfim Ribeiro, no Palácio Floriano Peixoto. O governador repetiu o discurso de fortalecimento dos partidos da base aliada do governo, mas despistou que vá ingressar no PDT, que abrigará depois do carnaval o secretário executivo de Educação, Maurício Quintella. Quintella migrou do PSB para o PDT a pedido de Lessa. ?Eu tenho respeito por todos esses partidos e me sentiria honrado e compor qualquer um deles, independente de seu tamanho?, disse Lessa, citando com exemplo o PHS, um dos ?nanicos? que compõem a base aliada do governo. A declaração de Lessa de que poderia deixar o PSB ecoou em Brasília. A notícia foi recebida com surpresa pelo 1º secretário nacional do partido Carlos Cerqueira. ?Não acredito nessa história. Ele [Lessa] é um companheiro de vários anos de partido e não gostaríamos que saísse?, comentou. ?Tenho certeza que o presidente Miguel Arraes [deputado federal por Pernambuco] compartilha da mesma opinião que eu?, disse. Há dois anos, Lessa tentou desbancar Arraes da presidência do PSB e acabou azedando a relação com o ?cacique? que comanda a legenda há vários anos. Ouvido ontem pela GAZETA, no Palácio, o deputado federal Jurandir Bóia (PSB) confirmou que, desde que houve divergência entre Lessa e Arraes, outros partidos se interessaram pelo governador. ?Mas ele não sai do PSB, acho que esse não é o interesse dele?, avaliou. Perguntado se aceitaria entrar no PDT, o deputado federal foi taxativo: ?Se o partido avaliar que devo sair do PSB e entrar no PDT, sigo o que determina o meu partido?. Lessa passou a investir no PDT depois que o presidente estadual e municipal da legenda, Geraldo Sampaio, rompeu com o prefeito eleito pelo partido, Cícero Almeida, por causa de cargos na prefeitura. Além do PDT, o governador também está atraindo para sua base o PL, que foi contemplado com uma secretaria, e fortaleceu o PT, o PL e PCdoB dando-lhes as secretarias de Direitos Humanos, de Esporte Lazer e de Ciência e Tecnologia, respectivamente. Em contrapartida, o governador pode perder o apoio do PSDB, por ter tirado a Secretaria da Saúde das mãos do tucano Álvaro Machado para dar à ex-prefeita de Maceió, Kátia Born. Ontem, o secretário regional do PSDB, Claudionor Araújo, disse que o partido ficou ?surpreso? com a atitude de Lessa. ?Nós soubemos tudo pela imprensa?, declarou. Segundo Araújo, os tucanos vão se reunir para decidir se irão assumir uma candidatura própria em 2006 e fazer oposição ao governo estadual ou apoiar o candidato do Palácio, o senador Renan Calheiros (PMDB). Também ontem, durante a inauguração de um ambulatório na Levada, Lessa voltou a lamentar a saída de Machado do governo. ?Cheguei a convidá-lo a sair do partido e ofereci outro cargo no governo, mas ele não aceitou?. Estratégia A nomeação de Pedro Nelson na Ciência e Tecnologia é mais uma estratégia de Lessa para agradar ao governo Lula. Pedro Nelson é irmão do secretário-executivo do Ministério da Coordenação Política, Eduardo Bomfim. Só que a secretaria, pelo menos no Orçamento estadual, é uma das menos valorizadas no governo Lessa: tem uma ?ajuda de custo?, como chamou o ex-secretário Williams Batista, de R$ 30 mil por mês.